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A pedagogia do apagamento: objetividade como um problema para o pesquisador

É comum afirmar que a pesquisa científica exige rigor, objetividade e método. Aparentemente essa afirmação não apresenta maiores implicações. Contudo, considero que existe um problema grave quando esses atributos passam a constituir de modo predominante o próprio horizonte do pesquisador, especialmente daqueles que buscam aprender como pesquisar cientificamente. 

Receio que, não raro, ensina-se (ou aprende-se) menos a pesquisar e mais a reproduzir uma determinada estética da cientificidade. Certos modos de "dizer" o que é e como se faz pesquisa científica, fortalece o imaginário de que fazer ciência consiste em atender a requisitos técnicos e metodológicos previamente estabelecidos, como se o conhecimento resultasse da correta aplicação de um protocolo sobre um objeto já posto e plenamente disponível à descrição.

Essa compreensão produz um efeito silencioso perverso. Ao colocar a objetividade no centro da formação, acaba-se por deslocar o próprio pesquisador para uma posição periférica. Trata-se da sugestão, ainda de inaudita e involuntária, que quanto menos o sujeito aparecer, mais científica será sua investigação. A pesquisa deixa, então, de ser uma vivência de envolvimento intelectual com um problema e se torna uma operação técnica destinada a produzir descrições objetivas da realidade.

Ocorre que toda descrição participa do design do que descreve. Ela seleciona, organiza, estabelece relações, define fronteiras, atribui relevâncias e produz silêncios. Não existe descrição que apenas transporte o objeto para a linguagem. A própria linguagem constroi o que passa a ser reconhecido como objeto de pesquisa. Por isso, a objetividade não pode ser confundida com a ilusão de que seria possível descrever o mundo independentemente da própria arquitetura da descrição adotada. 

Paradoxalmente, quanto mais o ensino insiste na ideia de que a pesquisa deve primar pela objetividade, menos favorece o desenvolvimento do pensamento crítico que afirma promover. O estudante passa a compreender que seu contexto, sua trajetória, suas dificuldades, suas inquietações e até mesmo sua autoria possuem importância secundária diante da necessidade de produzir um texto que ostente os sinais exteriores da cientificidade. O rigor deixa de ser compreendido como responsabilidade intelectual para transformar-se em conformidade estrutural.

A terceirização da escrita acadêmica, o plágio e o uso servil da inteligência artificial generativa são, provavelmente, também movidos por esses aspectos do dizer científico, fenômeno que envolve, claro, outros fatores. Essas praticas encontram terreno fértil em uma pedagogia que ensina o estudante a acreditar que sua principal tarefa consiste em entregar um produto objetivo, demanda que, diante de inúmeras outras tarefas cotidianas, precariza atos e atitudes que se esperam de um percurso intelectual genuíno em propósitos e autêntico em condições de realização. 

O problema, portanto, não reside na objetividade enquanto compromisso epistemológico, mas na objetivação da própria formação científica. Quando a objetividade ocupa o lugar do pesquisador, a pesquisa deixa de ser vivenciada como prática autoral responsável em seu pertencimento comunitário para converter-se em um conjunto de procedimentos passíveis de execução por qualquer agente suficientemente competente para reproduzir seus marcadores formais. Nesse cenário, o uso servil da inteligência artificial generativa é só mais um capítulo de uma fragilidade formativa que já se encontra inscrita no modo como, há muito tempo, são reproduzidas certas práticas de ensinar o fazer científico.

Prof. Dr. Alejandro Knaesel Arrabal

Notas: 
- Texto elaborado com auxílio de IA Generativa (ChatGPT) para organização textual, revisão ortográfica, gramatical e aprimoramento da redação. As afirmações, argumentos e conclusões são de integral autoria e responsabilidade de Alejandro Knaesel Arrabal.
- Imagem gerada com auxílio de IA Generativa (ChatGPT), baseada em ilustração original de autoria de Alejandro Knaesel Arrabal.

3 de agosto de 2026

O poder da palavra: linguagem e produção de sentido

Para além do papel estritamente funcional, a linguagem é “viva”, e nós, como seres culturais, somos parte dela. Seu caráter dinâmico emerge do fluxo das relações humanas. Quando se diz que uma determinada palavra “carrega um significado”, é preciso cuidado para não reduzir essa afirmação a uma noção substancialista. Dito de outra forma, o sentido não é algo irremediavelmente “colado” às palavras. O sentido é sempre produto de um ambiente comunicativo, um entre muitos construtos decorrentes das relações interpessoais. Assim, o “poder da palavra” não está no código como representação estática, mas reside nas condições em que ele é empregado em uma dada coletividade.
Por meio das palavras, é possível atribuir nomes e qualidades aos objetos materiais e também às ideias. Seu uso sempre comporta adaptações que transformam e produzem novos sentidos. Metáforas são assim. Na frase “a ética está no ‘DNA’ da empresa”, observa-se a tentativa de imprimir à ética a qualidade de fator constitutivo da organização. Ela é referida como elemento “essencial” da empresa e, nesse sentido, pretensamente inafastável. Importada da biologia, a expressão “DNA” introduz ao discurso uma semântica determinista. Na biologia, o Ácido Desoxirribonucleico refere-se ao código instrucional que “determina” a constituição biológica de seres vivos.
Assim, também a palavra “natureza”, entre outras expressões da biologia e, mais recentemente, da neurociência, é empregada com o objetivo de conferir solidez e irrefutabilidade aos mais diversos discursos. Nesse mesmo sentido, narrativas acadêmicas frequentemente introduzem categorias estranhas a campos conceituais distintos como recurso argumentativo. Zygmunt Bauman fez isso ao desenvolver o conceito de “modernidade líquida”. Essa invasão, ou transposição semântica, por assim dizer, produz efeitos transformadores sobre o pensamento, cujas consequências, embora não sejam totalmente previsíveis, são profundamente marcantes.
Contrárias às concepções mais conservadoras da língua, a produção contemporânea de neologismos e as ressignificações a partir de figuras de linguagem conferem certo tônus inovador aos discursos e, por via de consequência, apontam tendenciosamente para pressupostas legitimidades.
O “nome da rosa” não cheira, a palavra “faca” não corta, mas os significados, valores e sentidos compartilhados no mundo produzem efeitos simbólicos reais. Nesse mundo da linguagem, que coexiste com o mundo material, o aroma da rosa é palavra que significa, e é, portanto, nela que podemos confirmar, uns aos outros, a experiência que vivenciamos. Assim, a existência social humana, que inclui realizações e testemunhos sobre os fenômenos da Terra, só é possível porque somos verbo, somos linguagem.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

Texto revisado em 13 jan. 2026
Imagem: www.pixabay.com

Para citar:
ARRABAL, Alejandro Knaesel. O poder da palavra: linguagem e produção de sentido. Prática da Pesquisa, 4 dez. 2027 (Revisado em 13 jan. 2021). Disponível em: http://www.praticadapesquisa.com.br/2017/12/o-poder-da-palavra-linguagem-e-producao.html. Acesso em:

4 de dezembro de 2017

Traje adequado para a apresentação perante banca

Creio que a comunicação não é privilégio das palavras. Ela também acontece por meio da entonação e do ritmo da voz, dos gestos, do olhar e da postura corporal. Neste sentido, é evidente que o traje representa um elemento da comunicação que não pode ser desprezado.
Adequação é um aspecto do Trabalho de Conclusão de Curso que caminha do texto à expressão corporal. Adequado não é simplesmente o que convém. Significa algo alinhado, em harmonia com um determinado contexto.
Nestes tempos marcados pelo signo da Inovação, muitos procuram fazer diferente. Ocorre que, para inovar, seja durante a pesquisa ou na sua apresentação, é preciso construir um horizonte de sentido. Não se inova simplesmente por “inovar”.
Sabe-se que o Trabalho de Conclusão precisa evidenciar argumentos consistentes em relação à estrutura e fundamentação. A comunicação verbal, em sintonia com o texto e o perfil do orador, precisa ser clara, segura e objetiva. No corpo, vestes confortáveis que expressem discrição e elegância, sem exageros. Trajes despojados ao extremo comprometem. Elimine tudo que provoque mais atenção do que a mensagem. A ideia é somar (e não sobrepor) ao conjunto da obra. Para mais informações sobre a apresentação perante banca, recomendo a consulta deste link: http://goo.gl/GmXAtH
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
Imagem:  www.pixabay.com

3 de julho de 2016

Existe diferença entre busca e pesquisa na Internet?

Imagine que você vai adquirir um novo computador já que o velho “pifou”. O mercado oferece inúmeras marcas, modelos e configurações. Surge a dúvida: qual computador comprar? Há quem diga existir apenas uma resposta para esta pergunta: compre o melhor equipamento que o bolso possa alcançar. Particularmente não concordo com esta visão, mas admito: não deixa de ser um critério. Um tanto amplo, é verdade! Afinal, há computadores disponíveis em uma escala de valores que vai de R$ 1.000,00 para além de R$ 10.000,00. Considerando esta situação hipotética há, pelo menos, duas possibilidades de ação:
a) Pesquisar a melhor opção a partir dos seguintes procedimentos: elaborar uma lista de necessidades e preferências em relação ao equipamento, por ordem de prioridade; realizar um levantamento de informações sobre as tecnologias disponíveis no mercado considerando as variáveis “desempenho”, “durabilidade”, “conectividade” e “capacidade de armazenamento”; por fim, tabular todas as informações obtidas, estabelecendo um cruzamento quali e quantitativo a partir das preferências e necessidades previamente eleitas. O resultado será um panorama que permitirá uma tomada de decisão mais assertiva.
b) Buscar a uma “resposta pronta” que aponte a “melhor opção” em sites especializados, ou pedir a opinião de alguém no Yahoo respostas, ou, ainda, render-se às sugestões do vendedor da loja mais próxima.
Percebeu a diferença? A pesquisa representa uma tarefa que demanda postura ativa, construtiva e criteriosa pois implica na formulação de conhecimentos consistentes. A busca é uma tarefa que tende a ser passiva, reprodutiva e desprovida de critérios já que limita-se à mera apropriação de informes sobre saberes disponíveis, sejam estes atuais ou não, verossímeis ou falsos. Ao buscar informações por meio de plataformas como Google, Bing ou Yahoo, por exemplo, não se está necessariamente pesquisando.
A pesquisa representa um conjunto amplo de atividades que exigem planejamento e tempo. Certamente a Internet fornece recursos fantásticos para realizar buscas sobre informações diversas. Afinal, trata-se de uma plataforma mediadora de comunicação que rompeu com as barreiras tradicionais de tempo e espaço. Mas isto não significa que a pesquisa tornou-se uma tarefa mais (ou menos) fácil.
Mudanças ocorreram (e continuarão ocorrendo) sim, seja em relação aos meios de publicação e acesso à informação, ou aos modos de comunicação e relacionamento sociais. Neste contexto emergiram facilidades e práticas inéditas. Mas a pesquisa demanda planejamento, definição/identificação de critérios e variáveis, leitura atenta, entre tantas outras atividades que, mesmo mediadas e instrumentalizadas tecnologicamente, não podem ser abolidas sob pena de comprometer a emergência do pensamento crítico e criativo.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

26 de maio de 2016

Livros de edições diferentes na revisão bibliográfica

Ao realizar uma pesquisa de revisão bibliográfica é importante observar as edições das obras consultadas. Em geral, recomenda-se utilizar a mais recente e manter-se fiel a mesma edição. Digo isto porque não é raro acontecer o seguinte: você vai até a biblioteca da universidade e leva temporariamente o livro “x”. Passa algum tempo com a obra, realiza a leitura, traz algumas passagens para o seu trabalho (na forma de citações diretas) mas não conclui antes de devolver o livro. Na segunda oportunidade pega um exemplar do livro "x" disponível na biblioteca, mas não se dá conta que é uma outra edição. Assim, pode acontecer que o conteúdo de uma obra seja diferente da outra, isto porque uma delas é atualizada ou porque foram produzidas por editoras distintas. Nestes casos há grande possibilidade da numeração de páginas ser diferente, de modo que isto representará um problema para o seu trabalho.
Três alternativas para resolver a questão: a) verifique se todas as páginas indicadas nas citações do seu trabalho “batem” com a edição disponível e, caso não coincidam, procure identificar em quais páginas os conteúdos citados estão; b) tente obter o exemplar da mesma edição que foi utilizada no início para continuar o trabalho; c) utilize as duas edições e apresente a referência de cada obra.
A ideia é manter a integridade da relação entre as citações do texto e as referências no final do trabalho. Você pode achar que esta orientação é exagerada. Afinal, mesmo que exista alguma variação, ela pode não ser tão relevante assim. Bom, por experiência própria, afirmo que já encontrei diferenças muito grandes entre livros de edições distintas. Portanto, cuidado para não citar trechos de uma edição e referenciar outra de modo a gerar inconsistências indesejáveis entre as páginas indicadas nas citações e a obra referenciada.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
Foto: www.pixabay.com

17 de março de 2016

Citação da citação: você sabe como fazer?

Na hipótese de produzir de um trabalho acadêmico, considere a seguinte situação:
Você tem à disposição um artigo cientifico encontrado na Internet cujo autor é José Justino. José incluiu neste artigo diversas citações, ou seja, ele promoveu um diálogo com várias fontes bibliográficas, citando e comentando diversos autores. Dos autores citados destacam-se: Bernardo Baiano, Maria Aletéia, e Thiago Cartago. José registrou (citou) no corpo do trabalho trechos dos livros publicados por estes autores, bem como apresentou as referências das respectivas obras no final do artigo, em ordem alfabética.
Ao perceber a relevância destas citações, você:
a) transcreve as citações e as referências apresentadas por Justino, sem mencioná-lo no seu trabalho?
b) cita e registra as referências dos livros de Baiano, Aletéia e Cartago, bem como do artigo de Justino?
c) transcreve as citações de Baiano, Aletéia e Cartago no seu trabalho, mas menciona que elas foram citadas por José e, ao final do seu trabalho, apresenta apenas a referência do artigo científico do Justino?
Esta situação hipotética retrata uma circunstância do cotidiano de qualquer pesquisador na produção de revisões bibliográficas. Trata-se da citação da citação. Há quem não aceite esta prática já que trata-se de uma espécie de “diz que me diz”, ou seja, Fulano disse que Beltrano disse… Dizer o que alguém disse por interposta pessoa não só caracteriza a popular “fofoca” como é uma prática que pode resultar em falhas de comunicação.
Para ilustrar, recomendo que faça a seguinte dinâmica com os seus amigos:
Diga algo complexo (no “pé do ouvido”) para um deles e peça que transmita essa mensagem da mesma forma para outro, e este para outro, sucessivamente. O último informado deverá revelar para todos a mensagem recebida. Neste experimento, quanto mais complexa for a informação e mais pessoas participarem, maior a probabilidade da mensagem original mudar de sentido quase por completo. O mesmo pode acontecer com algum conteúdo expresso por escrito, caso o registro de cada participante seja realizado livremente. Por outro lado, quando a comunicação (verbal ou escrita) é realizada de forma literal, este problema geralmente não ocorre.
Outro argumento contra a citação da citação, especialmente no contexto do ensino/aprendizagem, é que esta prática sugere que o pesquisador (aluno) não se esmerou tanto quanto podia (e deveria) na busca das fontes – parou na primeira que encontrou. Claro, há situações em que a fonte primígena é de difícil acesso. Nestes casos, mesmo os mais relutantes no emprego da citação da citação acabam por aceitá-la. Contudo, usada com moderação, a citação da citação é recomendável e deve ser apresentada de modo que não deixe dúvidas ao leitor sobre quem citou quem.
Portanto, a resposta para situação descrita no início é a alternativa “c”, que pode ser exemplificada da seguinte forma:
No corpo do trabalho: 
Conforme explica Aletéia citada por Justino (2015, p. 35) “[…] transcrição do texto de Maria”.
Nas referências: 
JUSTINO, José. Como citar fontes científicas. Revista Ciência&Pesquisa, Blumenau, v. 12, n. 32, p. 20-34, jul./dez. 2015. Disponível em: Acesso em: 10 jan. 2016.
Em tempo: cabe lembrar que a expressão latina "apud." pode ser empregada em substituição à expressão "citado por". Pessoalmente, prefiro o bom e claro português.
Para saber mais sobre citação da citação, confira estes links:
Citação da citação, eis a questão!
Devo citar o autor citado no artigo ou o autor do artigo?
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
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14 de fevereiro de 2016

Citação da citação, eis a questão!

Em nome da certeza e do rigor científico, há quem afirme ser absolutamente necessário citar fontes primárias. Aproximar-se ao máximo do discurso original. Isto implica em não empregar recursos como citação da citação, ou valer-se de textos traduzidos. Ocorre que não é raro encontrar livros e artigos que, por sua vez, empregam (citam) outros textos. Autores que citam outros autores. Cabe então a pergunta: é adequado utilizar o recurso da citação da citação?
Acredito que seja preferível usar a citação da citação do que citar e referenciar as fontes dos autores consultados, sem mencioná-los. Valer-se furtivamente das citações de outros trabalhos é enganar o leitor, sonegando o acesso aos textos utilizados na pesquisa. Sobretudo, importa evidenciar a ética na produção acadêmica, priorizando o informe das fontes realmente consultadas. Transcrever as citações contidas nos trabalhos consultados sem mencioná-los é conduta desonesta e fraudulenta.
Claro que é relevante investir na busca das fontes primárias, mas exigir do aluno de graduação a consulta de livros cujo acesso é difícil ou mesmo a leitura de textos em outros idiomas pode ser o mesmo que convidá-lo a “maquiar” o trabalho. No ensino universitário e também na vida, a ética deve permear o plano concreto das condutas e relações humanas. A honestidade precisa ocupar o espaço do cotidiano, do comum, e não ser vista como virtude excepcional de poucos iluminados puritanos.
Aproximar-se deste ideal, ainda que seja um horizonte inatingível em sua plenitude, exige renúncia das vaidades intelectuais e das pseudo-cientificidades do ambiente acadêmico. É preciso considerar a ação (pesquisa) e não apenas o produto (monografia). Compreender que a experiência vivida com a pesquisa, seus desafios, reflexões e escolhas são tão ou mais importantes que o resultado final. Na universidade, o texto do Trabalho de Conclusão é o rastro de uma jornada cujo objetivo maior consiste no aperfeiçoamento humano e profissional. Enfrentar os desafios da academia e da vida com respeito, ética e humildade, é disso que falo!
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

27 de setembro de 2015

Para pesquisar é preciso transgredir!

Escrever um texto coerente com quarenta, sessenta ou até cem páginas, sem dúvida, é algo trabalhoso e exaustivo para a maioria dos alunos da graduação. Mas produzir um trabalho de pesquisa mais expressivo (como é o caso do TCC) não é simplesmente desenvolver uma longa compilação de citações, um amontoado de fragmentos de textos. Realizar uma pesquisa é viver uma experiência de construção/desconstrução de saberes a partir de uma postura intelectual engajada.
Para além da redação e da editoração do texto, a boa pesquisa exige, sobretudo, romper com o pensamento linear e a ideia de separação entre pensamento e ação. Observe: da mesma forma que não se constrói uma casa a partir da porta de entrada, também não se elabora um projeto de pesquisa exatamente na mesma ordem da sua apresentação. Em igual sentido, não se escreve um TCC rigorosamente na sequencia: introdução, desenvolvimento e conclusão.
A emergência do pensamento e a produção de texto são processos imbricados que pressupõem a transgressão da ordem posta. Para o senso comum, primeiro pensamos e depois transportamos o pensamento para o texto. Para o senso comum, conhecimento é eminentemente produto que pode ser adquirido, armazenado, interiorizado e transferido. Proponho transgredirmos esta ordem e reconhecermos que não só pensamos para escrever, mas também escrevemos para pensar. É preciso colocar em primeiro plano a experiência da pesquisa, a vivência e não o produto. Subverter a ordem que nos condena à inércia intelectual, é disso que falo.
A emergência do saber implica em uma dialógica que acolhe o movimento inverso à ordem aparente, um olhar contrário e complementar à crença do conhecimento como algo consolidado. Assim, o método de pesquisa se apresenta muito mais como rastro das ações e escolhas do pesquisador do que uma estrada que conduz à verdades e respostas prontas. Pesquisar é desvendar e, ao mesmo tempo, desconstruir o que está dado.
O pensamento exclusivamente linear não nos oferece condições para uma efetiva emancipação intelectual. Do mesmo modo, pressupor que o pensamento e o conhecimento são substâncias, contribui significativamente para uma espécie de atrofia epistêmica, em outras palavras, limita a experiência da pesquisa à processos padronizados de investigação e reprodução de informações. Crer na pesquisa apenas como a descoberta de algo existente e no conhecimento como um produto a ser interiorizado, leva a uma conclusão óbvia, mas radicalmente equivocada: produzir um trabalho é reproduzir o que outros - mais altivos na hierarquia do saber - já pensaram, descobriram e afirmaram.
Na sociedade da informação, colecionar citações em um trabalho acadêmico é ato “sem sentido” que não alcança a eficiência e o poder das tecnologias de armazenamento, reprodução e distribuição de dados. Ocorre que a questão (o equivoco) é justamente esse! Pesquisa não é simples reprodução, um mero compilado de citações como já dito. Pesquisa é trajetória envolvente e visceralmente inquietante, por isso, prazerosa; é ação engajada e epistemologicamente transgressora, por isso, emancipadora.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

18 de setembro de 2015

Existem temas de pesquisa inadequados para a graduação?

Há quem afirme que certos temas de pesquisa não podem ser tratados na graduação. Seja em razão do grau de complexidade ou do caráter inovador, eles estariam, por assim dizer, reservados a níveis mais elevados de produção acadêmica, leia-se: dissertação de mestrado ou tese de doutorado.
Creio que esta afirmação está ancorada em pressupostos que precisam ser repensados. Um deles é a ideia de que os temas de pesquisa são como produtos prontos, catalogados, etiquetados e divididos em diversos departamentos - uma espécie de megastore do conhecimento. Assim, neste mercado do saber há de tudo, mas cada produto (tema) está em um setor específico. Lá pode-se encontrar a seção dos temas fáceis, outra dos temas difíceis, outra dos específicos, outra da multidisciplinaridade, outra, outra e mais outra…
Ocorre que a segmentação do conhecimento (recorte, delimitação, etc.) não é algo que deva ser visto como pronto e acabado. Ela representa um aspecto do desafio à ser enfrentado por todos que pretendem vivenciar a pesquisa (da graduação à pós-graduação) pois, é claro, não se pode saber tudo de tudo. Neste sentido, pesquisar não é apenas desvendar, mas, ao mesmo tempo, construir e modelar. O que resulta deste processo é sempre algo provisório. Nem mesmo as ciências empíricas podem fugir da dimensão criativa e contingente que permeia o pensamento.
Classificar e segmentar são aspectos que fazem parte do jogo simbólico do pensamento, da linguagem e da comunicação - refiro-me ao conhecimento enquanto processo - mas de forma alguma devem ser encarados como atributos indeléveis de um saber pretensamente universal. Prega-se (equivocadamente) que verdade e certeza são valores absolutos. Em nome destes valores, muitos encaram os diversos saberes como unidades monolíticas. Assim, replica-se insistentemente a ideia do conhecimento como algo departamentalizado e hierarquizado. Basta observar os manuais de metodologia. Mesmo em edições mais recentes ainda se encontra o discurso propedêutico da “classificação do conhecimento” que separa a razão da emoção e afirma que o saber científico é o único capaz de revelar a verdade (quanta pretensão!). Nesta perspectiva, há saberes que “valem mais” do que outros. Eis a matriz da hierarquia do conhecimento que serve como base para aceitar que há pessoas que sabem mais do que outras, que existem estratos de conhecimento mais elevados do que outros. Creio que estas afirmações não passam de julgamentos exclusivamente quantitativos, superficiais, pífios e discriminatórios.
Embora o pensamento unidimensional e excludente ainda assombre a intelectualidade humana, o século XXI aponta para a necessidade de lidar com a diferença de saberes de forma plural, inclusiva e emancipadora. Portanto, não creio que existam temas reservados (próprios) para determinados níveis acadêmicos. A questão implica muito mais em avaliar as possibilidades e potencialidades de que dispõe o pesquisador em dado momento e lugar, do que partir para prejulgamentos sobre o que é ou não é “adequado” pesquisar na graduação.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

1 de julho de 2015

Diferença entre Definição e Conceito

Pode-se dizer que a diferença entre Definição e Conceito está na maneira como reconhecemos o sentido das coisas do mundo. Na filosofia, chamamos as coisas do mundo de “entes” e o sentido atribuído a estas coisas de “ser”. Considere o seguinte exemplo: qual é o “ser” do “ente” cujo nome é “caneta”? Em outras palavras, o que é uma caneta? Para responder a esta indagação podemos partir de dois pontos de vista diferentes: a “definição” e o “conceito”.
Para estabelecer uma definição do objeto “caneta”, parte-se do pressuposto que ele é constituído de uma substância com características únicas (uma “natureza”), a qual pode ser identificada e permite estabelecer a diferença entre o objeto “caneta” de todos os demais objetos do mundo. O objeto (ente) é, portanto, dotado de uma essência que, ao ser descoberta, possibilita: a) estabelecer sua diferenciação com outros entes do mundo; b) afirmar universalmente que todo o ente que contenha uma essência de caneta será, sem dúvida, uma caneta. Esta perspectiva é adotada pelo empirismo tradicional.
Por outro lado, ao estabelecer um conceito do objeto “caneta”, parte-se do pressuposto que ele não é dotado de uma essência. Seu “ser” não é determinado por atributos substanciais e universais, mas por sua relação com inúmeras variáveis de um dado ambiente (contexto) no qual ele está inserido (usos, costumes, possibilidades técnicas, etc.). O ser da caneta é constituído a partir de sua existência no mundo. A palavra "conceito" deriva do latim conceptus que significa “o que está contido, está dentro”. Nesta perspectiva, o sentido não decorre de fatores exclusivamente endógenos, mas da interdependência do "ente" em relação a um dado meio. Trata-se de um olhar contextual. Esta perspectiva é adotada pela fenomenologia, pelo existencialismo e pela teoria dos sistemas.

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

30 de junho de 2015

A Monografia é uma Festa!

Produzir um trabalho monográfico de revisão bibliográfica é como realizar uma Festa. Quem escreve o texto é o anfitrião. Sabemos que uma bela festa deve contar com vários convidados. Não muitos a ponto de sufocar o ambiente, nem poucos de modo a torná-la exageradamente intimista. Uma festa é bacana quando participam pessoas agradáveis, com vivências e perfis variados. Gente inteligente, bonita, atualizada, disposta a “curtir” e compartilhar afinidades e diferenças. Sabemos também que o anfitrião tem o compromisso de receber os convidados e animar a festa, empregando estratégias que favoreçam a interação e o diálogo. No ambiente da monografia, podemos dizer que o anfitrião (pesquisador) tem o dever de convidar diversos autores (fontes citadas) e conduzi-los ao diálogo.
Proponho está metáfora para ilustrar algo que considero necessário à produção científica (especialmente para os iniciantes da pesquisa): promover um olhar mais humanista sobre o trabalho intelectual. Livros (e o conhecimento aparentemente “contido” neles) não são objetos delimitados apenas por suas dimensões ou quantidade de linhas e páginas, são antes manifestações humanas, provenientes de vivências contextuais repletas de virtudes e vícios. Manifestações que se projetam para além do limites de tempo e espaço do autor e do leitor. Por mais qualificada, não existe fonte ou doutrina (leia-se: autor) imune a inflexões de sua época, ideologias, parcialidades ou equívocos.
Ler é sempre um diálogo entre o leitor e o autor. Também a produção textual, a partir de uma revisão bibliográfica, é sempre uma oportunidade para estabelecer o diálogo entre autores de diferentes tempos e lugares, e destes com o escritor. Por esta razão reconheço a importância de indicar as fontes de pesquisa. Não para prevenir o plágio (mesmo porque, a bricolagem ardilosa das fontes não é um fenômeno involuntário), nem tão pouco representa apenas uma questão de legitimidade do argumento. Indicar as fontes é, sobre tudo, uma conduta solidária e inclusiva que garante, ao leitor, o contato (leia-se, diálogo) com os diversos olhares que compõem a tessitura de um trabalho de pesquisa.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
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8 de abril de 2015

Teoria e Prática: mundos diferentes?

É provável que você já ouviu ou até mesmo já afirmou que: “Teoria é uma coisa, a prática é outra!” Normalmente reconhecemos a teoria como o universo dos livros, manuais, aulas, discursos ou qualquer outra forma de descrição (explicação ou idealização) do mundo. Por prática entendemos as ações concretas, não apenas o pensamento ou o discurso, mas a prática como um agir sobre algo ou em relação a algo.
Assim, a disjunção teoria/prática está ligada a noção de mundo ideal “versus” mundo real. Ao afirmarmos que “teoria é uma coisa e a prática é outra!” estamos dizendo que o mundo ideal não corresponde ao mundo real. Consideramos que o mundo ideal é eminentemente contemplativo e tem pouco ou nenhum efeito sob o plano concreto. Bom, creio que é possível questionar essa diferença. Limitar a teoria ao plano abstrato e considerá-la incompatível com o mundo fático é um equívoco.
A “teoria” que conhecemos é resultado de um olhar fragmentado e reducionista do mundo. Quando constatamos que a teoria não alcança a prática, de fato, estamos diante de uma teoria que se apresenta como uma visão parcial e radicalmente mutilada dos fenômenos sociais. Não é a teoria que está distante da prática. Esta lacuna se apresenta a partir de uma determinada concepção de teoria.
O pensamento disjuntivo limita nossa possibilidade de perceber a efetiva relação entre teoria e prática. Duas dimensões que, na perspectiva de Morin (2011), são diferentes mas complementares, constituindo uma unidade na diferença. A modernidade edificou uma determinada concepção de teoria, cujo pressuposto básico reside na especialização e fragmentação do conhecimento. A dissociação entre pensamento e ação não é uma concepção exclusiva do cientificismo moderno, já que era reconhecida pelos filósofos gregos da antiguidade. Ocorre que a modernidade aperfeiçoou esta diferença, de modo a torná-la quase que uma verdade inquestionável.
Contudo, o pensar e o agir no cenário de uma sociedade global e complexa não comporta esta disjunção. Não há teoria sem prática e não há prática sem teoria. “Todas as práticas humanas se dão orientadas por um contexto teórico que é formulado, amadurecido e desenvolvido no próprio exercício da prática” (LUCKESI, 1998, p. 21), em outras palavras, teoria e prática estão reciprocamente imbricadas.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
Referências
LUCKESI, Sipriano e outros. Fazer universidade: uma proposta metodológica. São Paulo: Cortez, 1998. (Link)
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2011. (Link)

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3 de março de 2015

Especialismo e atividade de pesquisa em grupo

Diversas vezes já ouvi alguém dizer "quem sabe tudo não sabe nada". Durante muito tempo concordei com esta afirmação. Na juventude fui educado a acreditar que, para ser alguém no mundo real - lugar que afirmavam existir para além dos muros da escola e do aconchego do lar - era imperativo especializar-se. Hoje coloco esta afirmação sob suspeita. Normalmente interpretamos que ”saber tudo" significa optar por conhecimentos generalistas e superficiais incapazes de conduzir a uma qualificação, a consolidar um saber de excelência. É justamente na contra-mão deste pressuposto, ou seja, na busca de um saber especializado, que muitos procuram a graduação e a pós-graduação.
Não é preciso ser um cientista ou filósofo para perceber que o ser humano não é dotado de qualidades ou recursos que lhe permitam ser onisciente. Aliás, o simples fato de imaginar esta possibilidade com base nos avanços da tecnociência é uma prova da dificuldade que temos em perceber qual é o nosso papel na existência. Não podemos negar: em maior ou menor grau somos individualistas e egocêntricos. Acreditamos acessar o mundo a partir de nossas singularidades e reconhecemos que isto seja um fato incontestável. "Cada cabeça uma sentença" não é assim? Pois bem, em geral somos imaturos e incompetentes para perceber o mundo a partir de pontos de vista diferentes. Sincretizamos a especialidade e a individualidade na lógica do "cada um sabe de si" e "dos meus problemas cuido eu". Esta postura fragmentária, típica do Especialismo individualista, compromete nosso presente e o nosso futuro.
Neste cenário, acreditamos que realizar um "trabalho de pesquisa em grupo", por exemplo, é simplesmente atribuir a cada integrante a tarefa de elaborar parte da pesquisa. No final, alguém juntará os fragmentos. Uma espécie de linha de produção que privilegia a celeridade, a eficiência e a noção de conhecimento objetificado. De certa forma, não é diferente da concepção de ensino seriado e disciplinas moduladas que ainda vigoram na educação formal. Atribuímos ao conhecimento idêntica qualidade dimensional que evidenciamos em objetos tangíveis, de modo que aceitamos sua fragmentação, transferência, replicação e cumulação. Assim, conhecimento é entendido como um "bem” (intangível), uma "coisa" que, embora não seja percebida diretamente pelos sentidos, é passível de apropriação individual. Infelizmente o predomínio desta visão oculta à perspectiva integrativa e humanista do conhecimento, ou seja, esquecemos que conhecer é desde sempre um fenômeno emergente de interação humana. Assim, antes de objeto o conhecimento é fenômeno integrativo, relacional. Não há conhecimento sem interação, sem relação comunicativa. Não há conhecimento sem linguagem.
O pensamento sistêmico denunciou a precariedade do Especialismo ao afirmar que o todo é algo diferente da mera soma das partes. Neste sentido, a atividade de pesquisa realizada em grupo deve ser conduzida para além de posturas fragmentárias que acreditam na possibilidade de produzir conhecimento a partir da mera soma de partes. Neste cenário há uma falsa percepção integrativa, já que a mera soma não evoca comunicação e, portanto, não é indutora do conhecimento. Não somos capazes de saber tudo, mas isto não significa que tenhamos que abrir mão de uma visão de mundo qualitativamente integradora, atenta aos reflexos e consequências decorrentes de fenômenos e ações aparentemente desconexos. A conquista da autonomia intelectual não se dá pelo isolamento ou sectarismo epistemológico. Ela é obtida a partir da percepção das relações e interdependências que nos constituem enquanto seres humanos.
Alejandro Knaesel Arrabal

30 de outubro de 2014

A patologia da objetividade

Quando falamos em objetividade, normalmente nos referimos ao sentido de clareza e concisão que favorece ao entendimento de algo. Assim, é comum estabelecermos esta associação: clareza-concisão-objetividade. Mas será que a objetividade realmente oportuniza clareza e entendimento?
Por traz do sentido de objetividade se esconde uma forma limitada de perceber o mundo. É claro que nenhum ser humano pode saber tudo de tudo. Mas a objetividade invariavelmente pode oferecer pouco. Não me entenda mal. Não quero defender discursos prolixos ou ensaios enciclopédicos. Reconheço que há situações onde o menos é mais. Contudo, a objetividade conduz a uma “parcial clareza”, ou melhor, uma “clareza a partir da parcialidade”.
Atribuímos clareza a tudo que pode ser dimensionado (limitado). São claras e verdadeiras todas as coisas dotadas de fronteiras e contornos perceptíveis. É assim que identificamos e, principalmente, idealizamos “Objetos”. Pode-se dizer que o Objetivismo é uma espécie de ideologia da construção de Objetos, de entidades que podem ser claramente descobertas e descritas, desde que se saiba como – que se disponha de um método.
Considerar que todas as representações, todos os elementos e todos os fenômenos da existência são Objetos é reconhecer, implicitamente, que tudo pode ser metodologicamente dimensionado, quantificado, valorado, permutado e, principalmente, controlado.  Marcuse, citado por Habermas (1970, p. 49) afirma que “o método científico, que levava sempre a uma dominação cada vez mais eficaz da natureza, proporcionou depois também os conceitos puros e instrumentos para a dominação cada vez mais eficiente do homem sobre o homem, através da dominação da natureza”.
Neste sentido, o incansável labor da Ciência em busca de verdades, certezas e segurança é, ao mesmo tempo, o substrato que fundamenta a legitimação de controles. A sociedade atual, ao pensar o mundo a partir do pressuposto da objetividade, clama cada vez mais por mecanismos de controle, embora paradoxalmente reivindique também o amplo (e irrestrito) exercício das liberdades individuais.
O mundo exige a redução das desigualdades sociais, o fim das guerras e a preservação do meio ambiente. Porém, se insistirmos em pensar apenas “objetivamente” – porque temos pressa, porque tempo é dinheiro – não conseguiremos chegar nem perto da solução destes problemas. Concordo com Morin quando afirma que o pensamento reducionista, limitado e, neste sentido, mutilador, “[...] conduz necessariamente à ações mutiladoras.” Para não nos mutilarmos, precisamos encontrar meios de pensar além da objetividade.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
Palavras-chave: Objetividade. Objeto. Objetificação. Objetivismo.
Referências:
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 4. ed.  Porto Alegre: Sulina, 2011.
HABERMAS, Jürgen. Técnica e ciência como ideologia. Lisboa: Edições 70, 1970.

25 de setembro de 2014

Opinião e fundamento: na onda do #selfie epistemológico

De tempos em tempos tenho a oportunidade de conversar (e pensar) sobre a questão da "opinião" nos Trabalhos Acadêmicos. Para mim, é um assunto que nunca se esgota. Aliás, é muito bom que seja assim! A pergunta é: o aluno pode apresentar "sua opinião" na Pesquisa? Experiências pessoais contam?
Já afirmei neste blog que opinar é afirmar algo sem apresentar fundamentos. Bom, mas o que é fundamento? Eis a questão!
Há quem insista em reconhecer o fundamento a partir da consistência pressuposta da autoridade. Em outras palavras, fundamento seria apenas o conjunto de conteúdos e afirmações profetizadas por doutores e autoridades no assunto. Esta é uma perspectiva "cega" em, pelo menos, dois aspectos: primeiro – pressupõe que a autoridade é a fonte legítima da verdade (o que é um grande equívoco); segundo – subestima (ou até mesmo neutraliza) a possibilidade do educando contribuir para a construção do conhecimento, algo que remete ao sentido original (e superado) da palavra "aluno" - alguém sem luz.
Por outro lado, também não se pode abraçar o protagonismo autorreferencial. Ou seja, reconhecer que ideias e experiências de vida, assumidas predominantemente como méritos e conquistas individuais, possam fundamentar afirmações. Não podemos ignorar que, no processo de construção da identidade e da autonomia, desde sempre, estamos imersos em um ambiente cultural. A partir dele, aquilo que acreditamos ser “nosso pensar" é o resultado de vivências, em sociedade. O conhecimento não se constitui, por assim dizer, a partir da absoluta independência do sujeito. Esta autossuficiência não existe.
O protagonismo autoral implica em reconhecer que o pesquisador (educando) não é um mero espectador no cenário da vida. Ele é um agente ativo que dialoga com o mundo e, neste diálogo, constrói o saber. Mas, nesta tarefa, ele precisa situar-se culturalmente, perceber-se a partir dos outros, e não apenas de si mesmo. Referir-se dogmaticamente às próprias experiências de vida é acreditar em uma autossuficiência epistemológica que, de fato, não se sustenta.
Portanto, escrever tu texto apenas citando autoridades científicas (na base do Ctrl-C/Ctrl-V) não é suficiente! Por quê? Simples, não houve diálogo, e sim, a mera (re)produção de discursos. Em outro viés, produzir um trabalho acadêmico partindo apenas das experiências e impressões pessoais (de forma autorreferencial), também não vale! Por quê? Simples, não houve diálogo, tão somente a (re)produção de um “selfie epistemológico”.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

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7 de agosto de 2014

Escrever para Pensar

Há momentos na vida em que o inesperado nos proporciona gratas surpresas. Para mim, encontrar o livro “Escrever é Preciso” de Mario Osorio Marques (1) foi uma delas. Leitura muito agradável e convidativa. Na primeira passagem do texto, o autor afirma que é necessário escrever para pensar. Concordo com ele. Afinal, a filosofia contemporânea explica que o pensamento depende da linguagem, muito mais do que dizem por aí.
A noção tradicional do pensamento como algo etéreo e a linguagem como mero instrumento de transmissão foi uma construção da modernidade. Este pressuposto é a herança de um período histórico que atribuiu à razão humana o poder de explicar e transformar o mundo, quando a mente foi qualificada como “[...] o lugar onde reside o pensamento. O lugar onde está a alma, o que faz ser o que somos” (2).
Contudo, no campo da filosofia, esta noção foi gradualmente questionada num processo histórico conhecido como giro linguístico. O giro foi, por assim dizer, uma sucessão de reflexões e críticas teórico-filosóficas que evidenciaram o papel constitutivo da linguagem, em radical oposição a perspectiva descritivo-instrumentalista (3). É a partir deste referencial que se pode entender o pensamento, não mais como o produto exclusivo da mente de um sujeito, mas como resultado da linguagem em ação.
Marques nos explica que “fomos ‘alfabetizados’, em obediência a certos rituais. Fomos induzidos a, desde o início, escrever bonito e certo. [...] Isto estragava, porque bitolava, o começo e todo o resto. [...] necessitamos nos reeducar para fazer do escrever um ato inaugural: não apenas transcrição do que tínhamos em mente, do que já foi pensado ou dito, mas inauguração do próprio pensar” (4).
Para inaugurar a escrita (ou melhor, o próprio pensamento) Marques convida a conversar com interlocutores invisíveis, mas sempre presentes (5), algo como conversar com os próprios botões, por meio da escrita. Mas, conversar consigo mesmo é também conversar com os outros de maneira atemporal. O pensamento enquanto atividade não se opera (fenomenologicamente) de modo isolado (na mente). Pode parecer estranho, mas, em outras palavras, nossos pensamentos não são “nossos”, no sentido de algo que emana de nós, independente da linguagem. Quando estamos sozinhos (pensando, refletindo) bricolamos com a carga de signos e significados que nos constitui histórica e existencialmente em sociedade. “A existência humana, o que para os seres humanos representa a experiência da existência, é realizada pela linguagem. A linguagem representa para os seres humanos, no dizer de Nietzsche, uma prisão da qual não se pode escapar; e, no dizer de Heidegger, a morada do seu ser. Os seres humanos habitam na linguagem.” (6) Portanto, pensamento e texto estão reciprocamente imbricados de modo que não apenas pensamos para escrever, mas, principalmente, talvez devamos escrever para pensar.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
REFERÊNCIAS
(1) MARQUES, Mario Osorio. Escrever é preciso: o princípio da pesquisa. 4. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2003.
(2) ECHEVERRÍA, Rafael. Ontología del Lenguaje. 6. ed. Chile: J. C. Sáez, 2003, p. 15.
(3) Para saber mais sobre o Giro Linguístico, recomendo a leitura de GRACIA, Tomáz Ibanez. O “giro linguístico”. In: IÑIGUEZ, Lupicinio. Manual de análise do discurso em ciências sociais. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 19-49.
(4) MARQUES, 2003, p. 13.
(5) MARQUES, 2003, p. 13-14.
(6) ECHEVERRÍA, 2003, p. 21.

28 de julho de 2014

O Futebol e a epistemologia

Este é o assunto do momento - futebol. É curioso observar o teor dos comentários e debates sobre os jogos da copa. Eles refletem, pelo menos, três concepções de mundo em uma espécie de sincretismo epistemológico.
Esquemas táticos são tecnologicamente planificados e demonstrados por inúmeros comentaristas. Nesta visão, ganha a partida o time com mais qualidade técnica, aquele cujos atletas atuam como engrenagens de uma máquina. São estes os favoritos. Nesta perspectiva, a vitória será obtida pelo time que melhor flertar com a eficiência. Aqui temos o império da racionalidade.
Contudo, quando a crise se instala e a máquina parece não funcionar mais, invoca-se à competência do ídolo, o jogador cujas habilidades anunciam a salvação. Neste momento, o futebol técnica abre caminho para o futebol arte. Arte que, no paradigma da modernidade, é reconhecida como o resultado dos atributos do sujeito.  O atleta, responsável pela vitória, será eternamente idolatrado, “fará história” dirão alguns. Aqui, temos o império do sujeito e da filosofia da consciência. Parodiando Descartes: jogo, logo eu sou o cara! (ou ainda, “esse cara sou eu!”)
Mas quando nem mesmo o ídolo for capaz de conduzir à vitória prometida? Neste instante a racionalidade e a filosofia da consciência abrem espaço para a metafísica clássica. O mítico então assume o seu papel: explicar aquilo que é inexplicável. Na partida entre Brasil e Chile (dia 28 de junho de 2014), aos 15 minutos do segundo tempo de prorrogação, Mauricio Pinilla chuta para o gol e a bola bate no travessão. Alguém explica? Galvão explicou: “essa trave é brasileira!” Bom, talvez a bola (indignada) quisesse mesmo esmurrar a trave, ou algum duende aprontar uma travessura... quem sabe. Afinal, jogo é jogo.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

4 de julho de 2014

Conhecimento, pedra e água

Ao longo da história, crenças e valores foram talhados em pedras. A consistência da matéria foi sincretizada ao verbo e, como por encanto, as verdades e certezas surgiram. Simbolicamente a pedra se tornou receptáculo do conhecimento e do poder, um elemento natural capaz de eternizar mandamentos e leis.
Não foi por menos que a “pedra filosofal” tornou-se o fetiche dos alquimistas medievais e inspirou a literatura infanto-juvenil contemporânea. Do culto hippie à cultura pop, rochas e cristais são capazes de predizer o futuro, influenciar o humor e armazenar o conhecimento de uma civilização inteira. Kal-El, antes de ser enviado à Terra, recebeu de seu pai Jor-El um cristal que continha todo o conhecimento do planeta Krypton. Da ficção norte-americana para a realidade, uma equipe de cientistas da Universidade de Southampton, com o emprego de nanotecnologia, desenvolveu um artefato de cristal capaz de armazenar 360 Tera Bytes de informações digitais e resistir a 1000 graus Celsius. Eis o poder da tecnologia que deslumbra a sociedade pós-moderna. Ocorre que o fascínio da técnica bloqueia nossa percepção sobre a dimensão humanista do conhecimento.
Conhecimento objetificado em pedras ou cristais, em si, não representa nada sem e elemento humano (o “quinto elemento”). Há muito não usamos pedras como suporte para a palavra escrita, mas ainda acreditamos em um conhecimento mensurável que pode ser armazenado. Não percebemos que o conhecimento é um fenômeno além de qualquer técnica, quantificação ou positivação. Neste sentido, o conhecimento não é rígido como a pedra, mas fluido como a água.
Pensar no conhecimento como um fenômeno fluido, sem forma, dimensão ou consistência específica é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo. Para muitos parece impossível aceitar este sentido. Isto porque, aparentemente, o conhecimento é “um objeto”, afinal, vivemos em uma realidade onde praticamente tudo é transformado em mercadoria, até o pensamento. No passado, o conhecimento foi esculpido na pedra e obteve consistência para legitimar a força e o poder. Na atual “sociedade da informação” ele é fragmentado, encapsulado em “pacotes de bytes” e vendido a quilo no varejo. Mudamos alguma coisa?
O valor do conhecimento não pode ser revelado a partir de uma “essência” positivada, isto porque, de fato, não existem essências que possam ser extraídas de pedras, cristais, livros, microchips ou da mente. Pensar no conhecimento como um “fenômeno”, é pensar na interação entre seres humanos e destes com os demais seres e elementos da natureza. Neste paradigma, o valor do conhecimento se opera a partir das relações. Valorizar as relações (o conhecimento enquanto relação) é valorizar a própria existência humana.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

3 de junho de 2014

O segredo do Hambúrguer de Siri e a objetificação do Conhecimento

Você já ouviu falar no Bob Esponja Calça Quadrada? Trata-se do protagonista da série de desenho animado homônima criada pelo biólogo marinho e animador norte-americano Stephen Hillenburg. Ao assistir alguns episódios pode-se perceber como seus personagens apresentam traços marcantes dos vícios e paradoxos da pós-modernidade.
Sirigueijo é o ícone do individualismo e da avareza. Proprietário da lanchonete Siri Cascudo, Sirigueijo oferece como principal e extraordinário produto o Hambúrguer de Siri, iguaria cuja fórmula é mantida em absoluto segredo.
Plâncton, pequena criatura que se intitula inimigo de Sirigueijo, é casado com um computador do qual é intelectualmente dependente (embora sua arrogância e narcisismo não lhe permitam perceber isto). Obcecado pelo poder, acredita que pode conquistá-lo roubando a fórmula secreta do hambúrguer de Siri.
Bob Esponja trabalha no Siri Cascudo e, aos olhos do patrão Sirigueijo, é um funcionário exemplar por seu compromisso e obsessão pelo trabalho. Seu principal lema é “Estou Pronto!". Junto com sua “amiga Spats”, uma espátula de cozinheiro, Bob Esponja é responsável pelo sigilo da fórmula e pela produção do extraordinário hambúrguer.
Inúmeros episódios da série revelam certa ironia em relação ao “segredo” do Hambúrguer de Siri. Afinal, o que pode existir de secreto em um hambúrguer? O “segredo da fórmula” realmente é a chave do sucesso financeiro do Sr. Sirigueijo?
Não posso afirmar que a pretensão do autor (ou da equipe de criação), ainda que subliminarmente, seja propor uma mensagem filosófico-crítica, mesmo porque é possível conjecturar que o Hamburguer de Siri é resultado de uma fusão irônica entre dois ícones da globalização econômica: a Coca Cola e o McDonald's.
Mas o que parece evidente é que a trama se desenrola a partir de uma premissa que há muito tempo insisto em desconstruir: a perspectiva preponderante do conhecimento objetificado. Os três personagens, Sirigueijo, Plâncton e Bob Esponja (especialmente os dois primeiros) reconhecem a “fórmula” (o conhecimento técnico para produzir o hambúrguer) como uma coisa, um objeto passível de apropriação individual. Ocorre que o predomínio desta visão nos distancia muito da percepção de conhecimento como processo, como fruto que subjaz das relações humanas, da comunicação e da linguagem.
Autores sistêmicos como Fritjof Capra explicam que, no século XXI, o pensamento Cartesiano pautado na especialização, na existência de verdades universais e na objetificação do saber será substituído pela visão dinâmica e contextual do Conhecimento. A partir do novo paradigma, o conhecimento é fluido e só existe em uma dinâmica relacional em rede.
Nesta perspectiva, não há segredo que se mostre apto a projetar o sucesso. Todo o conhecimento, a racionalidade e a criatividade que afloram da experiência humana não resultam apenas ou preponderantemente de habilidades psicomotoras individuais. Conhecimento não é “coisa” criada ou aprisionada na mente de “um”, ou algo que efetivamente possa ser “protegida” em um cofre. Não somos privados do conhecimento quando alguém “esconde” uma fórmula, mas quando nos distanciados da experiência comunicativa e da linguagem.
Em um mundo evidentemente materialista que insiste em enaltecer absurdamente o individualismo, a propriedade privada e o dinheiro como ideais de sucesso, é difícil que a maioria das pessoas se de conta da importância das relações humanas para o seu crescimento pessoal. É difícil despertar para valores que não podem ser precificados. Contudo, ainda assim acredito que vale a pena ter esperança. Acredito que a humanidade tem condições de virar o jogo, ainda que, por enquanto, o placar esteja dois a um para o adversário aos quarenta e dois minutos do segundo tempo.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

16 de abril de 2014

SOS formatação da monografia: há esperança para os náufragos da pesquisa científica?

Você está perdido? tem dificuldades ou não sabe como formatar a sua monografia? Neste post vou apresentar algumas recomendações que considero importantes para esta questão.
Em primeiro lugar, preciso dizer que a formatação, ou melhor, a diagramação da monografia não é sinônimo de “Metodologia”. Formatar o texto é uma tarefa acessória, árdua para os não iniciados no mundo da editoração eletrônica e da normalização. A dificuldade vivenciada por muitos, somada ao vigoroso discurso técnico-normativista, infelizmente inverteu as prioridades da produção acadêmica. Ou seja, o acessório passou a ser o principal.
De fato, é impossível desconsiderar completamente os aspectos formais. Lembro-me de uma aluna que, há muitos anos, escreveu sua monografia apenas com uma caneta e um caderno universitário. Embora este esforço fosse digno de elogios, ela precisou que alguém digitasse o trabalho para entregar a versão final. Contratar serviços de digitação e diagramação não é nenhum pecado, mas definitivamente não é a melhor opção, especialmente se considerarmos que um dos objetivos básicos da graduação é a conquista da autonomia intelectual e profissional.
Note que não me refiro a contratação de ghostwriters ou mesmo a compra de trabalhos prontos. Sou ferrenho combatente destas práticas, não só por considerá-las ilícitas, mas principalmente porque representam o atestado definitivo da mediocridade intelectual.
Para que a forma da monografia atenda as exigências das instituições de ensino, é necessário certo domínio operacional do redator de texto (Word, Writer, Pages, LATex, entre outros) e conhecimento dos padrões normativos estabelecidos para trabalhos acadêmicos. É claro que investir tempo no conteúdo do trabalho é muito mais importante do que dedicar preciosas horas com filigranas de formatação. Assim, para evitar desgastes com processos repetitivos e revisões que parecem não ter fim, o ideal é investir algumas horas iniciais para aprender o uso eficiente do software de editoração e conhecer as normas técnicas. Neste blog há diversos tutoriais e orientações sobre estes assuntos.
Outra opção é utilizar modelos de documentos pré-formatados. Não é difícil encontrá-los na Internet. Você pode, por exemplo, utilizar o gabarito eletrônico que disponibilizo aqui. Quando criei esta ferramenta meu objetivo foi ajudar os alunos que não conheciam os recursos mais avançados do Word, nem tão pouco os detalhes das normas da ABNT.
Por fim,  caso sua opção seja contratar alguém para formatar o trabalho, cerifique-se da eticidade do serviço prestado. Busque informações a respeito do profissional, seja por indicação de terceiros ou via credenciais que ele possa apresentar. Não se deixe conquistar por falsas promessas e também não imagine que um serviço desta natureza resulte em milagres. Quem realmente presta serviços sérios de formatação e/ou revisão não pode reescrever o texto ou modificá-lo, acrescentando conteúdos ou alterando sua estrutura, mesmo com a autorização do contratante. Trabalhos originariamente mal elaborados, sem delimitação, sem coesão e sem indicação das fontes, não tem salvação. O verdadeiro profissional fará uma avaliação prévia do texto a fim de dizer se o trabalho atende as condições necessárias para realizar o serviço de formatação e/ou revisão.

8 de março de 2014