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Na apresentação perante a banca, preciso mencionar (citar) verbalmente os autores pesquisados?

Entendo que a apresentação perante banca é revestida de forma e dinâmica distintas da expressão escrita. No trabalho impresso, o registro das fontes é indispensável, não só para sedimentar o argumento, mas também oportunizar ao leitor o acesso às obras consultadas. Creio que a apresentação oral não precisa caminhar no mesmo sentido. Mesmo porque, especificamente no caso da apresentação dos Trabalhos de Conclusão, a banca já conhece o conteúdo do texto e suas respectivas fontes, de modo que a apresentação não precisa explicitar os autores consultados. Isto não significa que não seja possível (ou, em certos casos, até mesmo necessário) mencioná-los. Por exemplo, quando uma pesquisa é ancorada teoricamente em um determinado autor ou filósofo, é muito difícil imaginar que ele não seja verbalmente explicitado.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

2 de dezembro de 2015

Como apresentar as citações e referências de artigos e livros publicados na Internet?

Para pesquisas que contenham revisão literária (também conhecida como revisão bibliográfica), livros e artigos disponíveis na Internet são consultas indispensáveis. Seguem exemplos de citações destas modalidades de fontes, considerando as diretrizes da ABNT (no sistema autor-data):
Exemplo de citação de artigo online, até três linhas:
“O sujeito se expressa na ilusão de controlar a origem de seu discurso, sem que se dê conta de que o determinante dos sentidos desse discurso é a história […]” (ADINOLFI, 2007, p. 3).
Referência do artigo:
ADINOLFI, Valéria Trigueiro Santos. Discurso científico, poder e verdade. Revista AULAS, Campinas, v. 1, n. 3, p. 1-10, dez. 2006/mar. 2007. Disponível em:
<http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/aulas/article/view/1940/1401>. Acesso em: 17 set. 2015.
Exemplo citação de livro online, até três linhas:
“As questões relacionadas ao conhecimento estão entre as que são tradicionalmente classificadas como centrais para a investigação filosófica.” (LUZ, 2013, p. 9).
Referência do livro:
LUZ, Alexandre Meyer. Conhecimento e justificação: problemas de epistemologia contemporânea. Pelotas: NEPFil, 2013. Disponível em:
<http://nepfil.ufpel.edu.br/dissertatio/acervo/5-meyer.pdf>. Acesso em: 17 set. 2015.
Para saber mais sobre este assunto, consulte estes post:
Como apresentar citações de legislação no sistema autor-data?
Exemplos de referências de trabalhos acadêmicos (NBR 6023)
Indicação de fontes de pesquisa (Vídeo aula)
Como apresento citações de conteúdos disponíveis na Internet? 
Nas citações de legislação e jurisprudência, como devo apresentar as chamadas no sistema autor-data?
Como citar autores de capítulos de livros?

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

17 de setembro de 2015

Como citar e referenciar entrevistas não publicadas?

Segue algumas dicas sobre como citar entrevistas não publicadas em monografias.
1) Caso a entrevista seja concedida verbalmente, grave (mediante consentimento prévio do entrevistado) e transcreva literalmente o conteúdo. O texto da entrevista deve ser acrescentado ao final do trabalho na forma de apêndice. Caso a entrevista seja concedida por e-mail, acrescente o conteúdo à monografia da mesma forma.
2) No corpo do texto, cite passagens da entrevista de forma direta (transcrição literal) ou indireta (paráfrase) da mesma maneira que faria com fontes bibliográficas. Na chamada da citação, faça constar o sobrenome do entrevistado e o ano da entrevista. Exemplo no sistema autor-data: (FREITAS, 2015).
3) No rol de referências, registre: “SOBRENOME, Prenome do entrevistado. Nota indicando a origem da entrevista.  Local, data. Observações adicionais.”
Ex:
FREITAS, Rafael. Entrevista concedida a Alejandro Knaesel Arrabal. Blumenau, 9 jun. 2015. [A entrevista encontra-se transcrita no Apêndice "A" desta monografia]
Mais informações sobre entrevistas, confira estes links:
O uso de entrevista, observação e videogravação em pesquisa qualitativa
Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais
A entrevista na pesquisa qualitativa: mecanismos para validação dos resultados

Foto deste post: www.publicdomainpictures.net

9 de junho de 2015

Preciso citar um texto que não especifica ano de publicação. Como devo proceder?

Segundo a NBR 6023 (2002, p. 17), quando não for possível identificar qualquer datação relacionada ao texto, registra-se a data aproximada entre colchetes da seguinte forma:
[2014?] para data provável 
[201-?] para década provável 
[20--?] para século provável
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR. 6023: informação e documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

25 de abril de 2015

Como apresentar citações de legislação no sistema autor-data?

A NBR 10520 não explica detalhadamente como se deve apresentar as chamadas para Legislação no sistema autor-data. Portanto, segue três sugestões tendo como base nas regras gerais desta mesma norma:
(BRASIL. Lei 9.610, 1998, art. 27) ... ou;
Conforme a Lei 9.610 (BRASIL, 1998, art. 27) ... ou;
Conforme o artigo 27 da Lei 9.610 (BRASIL, 1998).
Na lista de referências (exemplo de legislação disponível na Internet):
BRASIL. Lei 9610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 17 nov. 2014.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

17 de novembro de 2014

Como citar autores de capítulos de livros?

Atualmente é comum encontrar obras cujos capítulos foram escritos por autores diferentes. Nestes casos, as citações podem ser elaboradas da seguinte forma: Junto com a citação (direta ou indireta) indique o autor da parte, seguido do ano da obra e do número da página correspondente.
Exemplo no sistema autor-data:
"A importância das nanotecnologias na produção de patentes pode ser verificada no Alerta Tecnológico nº 87, referente aos pedidos de patente sobre nanomateriais do primeiro semestre de 2012, publicado em janeiro de 2013." (ENGELMANN; ARRABAL, 2014, p. 125).
Na lista de referências ao final do trabalho, apresente os dados da obra utilizando o modelo “referência de parte de obra” conforme a NBR 6023.
Exemplo:
ENGELMANN, Wilson; ARRABAL, Alejandro Knaesel. A (in)suficiência da dicotomia público/privado na propriedade industrial: uma análise a partir das nanotecnologias da constitucionalização do direito. In: BOFF, Salete Oro; PIMENTEL, Luiz Otávio; FORTES, Vinícius Borges (Orgs). Direito e desenvolvimento sustentável: a (necessária) proteção jurídica da biotecnologia e a (necessária) regulamentação do acesso à biodiversidade e aos conhecimentos tradicionais. Passo Fundo: IMED, 2013
Para saber mais sobre este assunto, consulte o post "indicação de fontes em trabalhos científicos".

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

10 de abril de 2014

O orientador de TCC é coautor?

Atribuir ao professor orientador de TCC a condição de coautor é uma questão bastante controversa. Contudo, antes de considerá-lo ou não um coadjuvante meritório, é preciso refletir sobre o seu efetivo papel institucional, bem como avaliar os pressupostos epistemológicos que norteiam o sentido da produção acadêmica na graduação. Assim, cumpre inicialmente indagar sobre o que é um TCC. Bom, afirmo sem receio que o Trabalho de Conclusão de Curso é, prioritariamente, um instrumento pedagógico.
Neste sentido, sua realização estará comprometida com as diretrizes nacionais da educação que, entre outros aspectos, buscam fomentar a autonomia intelectual e o pensamento reflexivo. Assim, o aluno deve ser reconhecido como um agente ativo na construção do conhecimento. É ele (aluno) quem precisa tomar as rédeas da realização do TCC, desde a escolha do tema até as diversas decisões inerentes ao desenvolvimento da pesquisa.
Talvez seja possível questionar: mas os alunos têm condições de fazer escolhas e tomar decisões sem que o professor diga o que deve ser feito? É neste ponto que reside o papel fundamental do orientador: oportunizar aos alunos meios para que eles aperfeiçoem suas competências, façam suas escolhas e tomem suas decisões. Portanto, não cabe ao orientador escolher o tema, nem tão pouco determinar os métodos ou as técnicas de pesquisa. Seu papel é de base, de aconselhamento ativo. Logo, em se tratando especificamente do TCC, não creio que seja correto reconhecer ao professor orientador a condição de coautor.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

6 de março de 2014

Como apresento a referência de um processo judicial?

Embora constem orientações para documentos jurídicos (Legislação, Jurisprudência e Doutrina) a NBR 6023/2002 não traz um modelo específico de referência para processos judiciais em tramitação. Porém, bom base no modelo de jurisprudência, sugiro a seguinte estrutura:
JURISDIÇÃO. Unidade judiciária competente. Título e número do processo, partes envolvidas (quando disponível), data da instauração do processo.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

24 de novembro de 2013

Como apresentar o resumo do TCC?

O resumo é um texto inaugural para quem quer conhecer o trabalho, mas é o último para quem o escreve. Isto porque nele deve constar parte da introdução do trabalho e parte das considerações finais. Da introdução, o resumo destaca o objeto (problema), os objetivos, a justificativa e a metodologia. Das considerações finais destaca sinteticamente os principais resultados obtidos. É, portanto, uma “apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto, fornecendo uma visão rápida e clara do conteúdo e das conclusões do trabalho” (ABNT, 2011, p. 4). Não se trata de uma replicação exata dos textos da introdução e das conclusões, mas de uma síntese dos seus elementos. Escrito em um único parágrafo, recomenda-se que sua extensão fique entre 150 a 500 palavras. Deve ser acompanhado de palavras-chave, separadas entre si por ponto. (ABNT, 2003). É um elemento que compõe a estrutura pré-textual do trabalho. Visualmente pode ser apresentado conforme a imagem abaixo:

Clique na imagem para ampliar
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

REFERÊNCIAS

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR. 6028. Informação e documentação – Resumo – Apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR. 14724. Informação e documentação –Trabalhos Acadêmicos – Apresentação. Rio de Janeiro, 2011.

8 de outubro de 2013

Afinal, o que significa “SIC”?

Faz algum tempo, perguntei na sala de aula se alguém sabia o significado de “SIC”. Um aluno levantou o braço e enfaticamente respondeu: “SIC é Segundo Informações Colhidas professor”.
Bom, não é exatamente uma abreviatura, mas o sentido não está completamente equivocado. Moreno explica que “Sic é um advérbio latino que significa literalmente ‘assim’. [...] É usado internacionalmente para indicar ao leitor que aquilo que ele acabou de ler, por errado ou estranho que pareça, é assim mesmo.”
Nas citações diretas, é um termo que pode ser apresentado entre colchetes (vide NBR 10520), logo após uma palavra cuja grafia original do texto apresente algum erro ou diferença que cause estranheza.  Por exemplo, textos muito antigos onde farmácia era com “ph”, ou até mesmo textos mais recentes, mas que não foram adaptados as novas regras da língua portuguesa.
Sobre este assunto, recomento a leitura integral do texto de Moreno publicado no site “Sua Língua” e também o post  “textos de citações diretas”.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

5 de outubro de 2013

Nas citações indiretas é necessário indicar a(s) página(s)?

A NBR 10520 (2002, p. 2) estabelece que “Nas citações indiretas, a indicação da(s) página(s) consultada(s) é opcional.” Contudo, é preciso entender que a indicação das fontes pesquisadas não é uma mera formalidade. 
Indicar as fontes com precisão, sobretudo denota honestidade científica, compromisso em oportunizar ao leitor o acesso ao repertório bibliográfico empregado na pesquisa. Neste sentido, a página onde originariamente consta um determinado conteúdo deve ser mencionada, ainda que o conteúdo seja expresso de forma indireta (paráfrase ou condensação). 
Insisto neste posicionamento, especialmente porque muitos entendem equivocadamente que a mera alteração de elementos de uma frase, como a substituição de algumas palavras por sinônimos, é prática suficiente para qualificar uma citação indireta. Assim, tenha como regra o seguinte: em qualquer modalidade de citação, sempre que for possível, mencione as páginas.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

28 de maio de 2013

Qual o tamanho ideal para a fonte do texto de Slides?

Não é possível afirmar que existe um padrão ideal "absoluto" para a fonte do texto de slides. O tamanho pode variar muito considerando o padrão. Por exemplo, a fonte “Arial Black” é visivelmente maior que a “Times New Roman”, se comparadas na mesma escala.
Fique atento para a conjugação harmoniosa do texto em relação às imagens aplicadas no slide. Pode parecer óbvio, mas o texto deve ser “legível” em relação ao contexto. Legível significa permitir que, em poucos segundos, alguém possa, não só perceber o léxico, mas também entender o sentido que a palavra traz no contexto da apresentação.
Portanto, considere os seguintes aspectos:

4 de abril de 2013

Palavras estrangeiras e expressões latinas empregadas nas citações devem ser escritas em itálico?

De fato, esta é uma das questões de grande divergência nos tratados e manuais sobre redação científica. Encontram-se orientações no sentido de empregar o itálico em palavras não incorporadas ao vocabulário, em expressões latinas ou até mesmo em termos específicos de determinadas áreas do conhecimento. Ocorre que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa vigente não trata deste assunto.
Especificamente em relação às expressões latinas utilizadas como recurso para abreviar citações, a NBR 10520 não utiliza o itálico
Portanto, sugiro usar o itálico somente em palavras estrangeiras não incorporadas ao vocabulário. Para saber se uma determinada palavra já foi incorporada, consulte o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

2 de março de 2013

Existe diferença entre Definição e Conceito?

Por diversas vezes me deparei com artigos que apontavam a diferença entre Definição e Conceito. Confesso que este assunto ainda me provoca certa inquietação, seja pela diversidade de impressões que encontrei, seja pela real necessidade de estabelecer esta distinção semântica. Contudo, sem ingressar em questões filosóficas mais apuradas, creio que é possível afirmar que existe uma diferença sutil entre Definição e Conceito. 
Na Definição, tenta-se dizer o que algo é a partir da determinação da singularidade do objeto, ou seja, busca-se descrever aquilo que o objeto investigado tem de específico e distinto em relação aos demais. Uma Definição descreve a qualidade, característica ou substância sem a qual o objeto deixa de ser o que “é”, em qualquer circunstância. De certa forma, trata-se de uma caracterização endógena e pretensamente universal do objeto pesquisado. 
O Conceito também é uma tentativa de delimitação, porém, neste caso há um esforço em estabelecer “o ponto de vista” por meio do qual o objeto é reconhecido. Busca-se determinar um “contexto” para delinear o objeto. Ou seja, no Conceito, algo “é” a partir de um determinado meio físico, social ou teórico. Ao estabelecer um Conceito, o pesquisador descreve o objeto em razão e a partir de um entre inúmeros cenários contextuais possíveis.  Trata-se de uma caracterização exógena do objeto, válida apenas diante da singularidade do universo pesquisado. 
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

20 de fevereiro de 2013

Comportamento perante a banca do TCC e respostas para “questionamentos constrangedores”

A Shara de Goiás colaborou com o blog encaminhando esta pergunta: 
“Como devo me comportar na banca do TCC? Devo me dirigir ao público ou aos avaliadores? Qual a melhor forma de deixar a apresentação perfeita a fim de evitar questionamentos constrangedores dos avaliadores?” 
Prezada Shara, o comportamento perante a banca deve ser polido, mas sem exageros formais (ou informais). É preciso valorizar o momento e você pode fazer isso, começando pela postura e traje. Contudo, não há um estereótipo único para a apresentação. Acredito que a melhor recomendação é: explore suas potencialidades. "Seja você" em tudo que tem de bom para comunicar suas ideias. Por exemplo, para falar em público, muitos acreditam que é preciso marcar o tom e ritmo de voz com firmeza e vigor. Isto não é necessariamente verdade. Já tive a oportunidade de participar de banca onde o avaliado tinha pouco volume de voz, mas trabalhou isso a seu favor. Empregou com suavidade o ritmo, a postura e tom de voz, o que contribuiu muito para a compreensão dos argumentos apresentados. 
Com exceção do início, quando é recomendável cumprimentar a todos os presentes, durante 99% da apresentação seu olhar e discurso devem ser dirigidos à banca. Caso você utilize algum recurso visual (Cartazes, Slides, entre outros), permaneça em uma área da sala que permita olhar e indicar os conteúdos visuais, sem dar as costas à banca. 
Para realizar uma ótima apresentação é preciso preparo e treino. No final deste post indico alguns conteúdos que podem ajudar neste processo. 
Certa vez, ouvi um colega de banca dizer ao aluno no final da apresentação o seguinte: “após ter pesquisado durante meses para fazer o TCC, neste momento e nesta sala, a pessoa que mais conhece o assunto é você”. É claro que, indiretamente, ele já estava dizendo que o aluno foi muito bem. Concordei com ele e concordo até hoje. Normalmente, quando o aluno escolhe um tema de seu interesse e desenvolve a pesquisa com dedicação, o resultado não é outro. 
Sobre a possibilidade de “questionamentos constrangedores”, considere o seguinte: se o trabalho foi adequadamente delimitado, cabe a você responder todas as perguntas que tenham relação com o conteúdo abordado. Neste caso, não tenho dúvida que você terá condições de respondê-las.

24 de janeiro de 2013

Devo escrever o texto científico na voz passiva?

O emprego da voz passiva e da terceira pessoa do singular são recomendações muito frequentes nos manuais de metodologia e redação científica. Observe esta frase: 
“Eu identifiquei uma falha” 
Do ponto de vista linguístico, “Eu” indica o sujeito que está na primeira pessoa do singular. O verbo “identifiquei” descreve uma ação promovida pelo sujeito “Eu” em relação ao complemento da oração “uma falha”. Portanto, o verbo da oração encontra-se na voz ativa. Na voz ativa, a ação é praticada pelo sujeito, ele é o agente do processo verbal. Na voz passiva, o sujeito recebe a ação verbal. Veja esta outra frase: 
“Uma falha foi identificada pelo pesquisador” 
Aqui há uma inversão em relação à frase anterior. O que era sujeito “Eu” passou a ser agente, agora na terceira pessoa do singular “Ele”, o “Pesquisador”. O que era complemento do verbo na voz ativa “uma falha”, passou a ser sujeito da voz passiva, sob o qual incide a ação verbal “foi identificada”. A justificativa para isto é despersonificar o texto científico, afastar o sujeito (especialmente suas características individuais) da investigação e dos resultados da pesquisa. Contudo, esta orientação é calcada em um paradigma determinista atualmente combatido. Neste sentido, observe as considerações de Rodrigues (2008, p. 67):
A voz passiva era um padrão na literatura científica anos atrás. [...] A ideia então passou a ser que não há separação entre objeto de pesquisa e pesquisador e a voz passiva criaria uma impressão errônea de imparcialidade absoluta [...] É comum encontrarmos críticas a esta arrogância científica, baseadas no Princípio da Incerteza de Heisenberg. [...] Quando o antropólogo Levi-Strauss andava pelo interior do Brasil na década de 30, o simples fato dele pisar em uma tribo indígena, mudava sua natureza. [...] É possível encontrar maneiras pelas quais a observação influencia o observado em todas ciências. [...] Não se trata de uma falha do método científico, [...] devemos prestar atenção na influência que a observação pode ter no observado [...] as escolhas todas envolvidas em um trabalho acadêmico expressam uma visão do autor; querer esconder isto atrás de uma voz passiva não parece honesto. De todo modo, mesmo que libertos da exigência da voz passiva, é recomendável uma certa neutralidade, porque a ausência dela pode dar a impressão que você escolheu uma resposta de antemão.
Portanto, considere estas recomendações estritamente como um esforço de adequação do discurso científico e, como tudo na vida “aplique com moderação”.

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

REFERÊNCIA
RODRIGUES, Efraim. Histórias impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Londrina: Planta, 2008 (http://www.praticadapesquisa.com.br/2011/01/historias-impublicaveis-sobre-trabalhos.html)

Veja também: Como escrever como um cientista

8 de novembro de 2012

Qual tempo verbal devo empregar na monografia?

O tempo verbal situa a ação descrita na oração em um determinado momento (passado, presente ou futuro).
No projeto de pesquisa, recomenda-se o emprego do tempo futuro, já que o texto deverá referir-se a ações futuras. 
Já no texto científico concluído (artigo, monografia, dissertação ou tese) emprega-se o passado, vez que o seu conteúdo reporta às atividades que foram realizadas durante a pesquisa. Contudo, há situações onde emprega-se o tempo presente e o tempo futuro. Por exemplo, ao referir-se ao próprio texto utiliza-se o presente, ao apresentar sugestões para estudos complementares emprega-se o futuro.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

4 de novembro de 2012

Devo utilizar abreviações em latim ao indicar fontes?

O emprego de abreviações derivadas do latim é uma tradição na redação de textos científicos. Op. cit. (opus citatum – obra citada), id. (idem – mesmo autor), ibid. (ibidem – mesma obra) são algumas das reduções encontradas frequentemente. Contudo, a sua utilização não é (e creio que nunca foi) uma prática absolutamente obrigatória.
Ao tratar das “notas de referência” Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002, p. 5) estabelece que “[...] A primeira citação de uma obra, em nota de rodapé, deve ter sua referência completa [...] as subsequentes citações da mesma obra podem ser referenciadas de forma abreviada [...]” É bom destacar que o emprego e regras para abreviação de palavras ou expressões é anterior a ABNT. 
No universo da literatura técnico-científica, a maioria das abreviaturas usadas é em latim. No site “Origem da Palavra” há um conteúdo muito interessante sobre o assunto. Destaco uma breve passagem, embora recomende a leitura integral do texto: “A maioria [das abreviaturas] é em Latim, e há duas razões para isso: uma, que foram instituídas quando o Latim era o idioma geral da cultura; outra, para não haver briga de abreviaturas entre países de idiomas diferentes.” (CONVERSAS, 2005) 
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR. 10520: informação e documentação – citações em documentos – apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
CONVERSAS com meu Avô: abreviaturas. Origem da Palavra, 27. Jul. 2005. Disponível em: <http://origemdapalavra.com.br/palavras/citar>. Acesso em: 6 jul. 2012.
Obs: para quem não entendeu o "trocadilho" da gravura desta postagem, veja este vídeo.

7 de julho de 2012

Existe um modelo para apresentação de errata?

Durante os preparativos para apresentação do TCC perante a banca, é comum encontrar algumas incorreções no texto: erros de digitação, formatação, citação, entre outros. E agora? Será que é possível entregar um novo exemplar corrigido na secretaria do curso antes da apresentação perante a banca?
Bom, normalmente esta não é uma opção permitida. Neste caso, a hipótese viável é preparar uma “errata”. A errata é um documento simples onde são indicadas as incorreções encontradas no trabalho, apontando o erro e indicando a forma correta. 
Segundo a NBR 14724 (2011, p. 7), trata-se de elemento opcional inserido logo após a folha de rosto. Apresentado em papel A4 avulso, deve conter a referência do trabalho e o texto da errata, conforme este modelo: 
Embora a ABNT mencione que a errata deve ser “[...] acrescida ao trabalho depois de impresso”, em alguns casos existe a possibilidade de correção direta no trabalho. Algumas instituições estabelecem regimentalmente a necessidade de entrega de um exemplar final, após apresentação do trabalho perante banca. Neste exemplar devem ser providenciadas as alterações e sugestões indicadas pelos avaliadores, bem como os ajustes dos erros que você identificou. 
Contudo, sugere-se que a errata seja entregue no dia da apresentação do trabalho à banca. Entregue uma via para cada avaliador antes de iniciar a apresentação do conteúdo. Ao iniciar sua fala, logo em seguida aos cumprimentos, informe que, durante a preparação da apresentação, encontrou algumas incorreções no trabalho e que, diante deste fato, formulou a errata cujo conteúdo corresponde aos ajustes que você pretende realizar para entrega da versão final. Atenção: não relate verbalmente o conteúdo da errata. Apenas entregue a via impressa e faça a breve observação destacada acima. Na sequência, siga com a apresentação normalmente.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

18 de junho de 2012

O que é um observatório de pesquisa?

O emprego da palavra “Observatório” tornou-se muito comum nos últimos tempos. É sonoramente agradável, cai bem para qualquer título e confere certa opulência institucional: “Observatório de estudos...”, “Observatório de pesquisa...” e assim vai.  Na ausência de qualquer fonte mais específica sobre o assunto, ouso propor um conceito que parece adequado às situações que conheço. Por analogia aos "Observatórios Astronômicos", pode-se dizer que um Observatório é uma “instituição” ou “grupo” que se propõe essencialmente a diligenciar, acompanhar e/ou fiscalizar atividades promovidas por outras instituições, grupos, agrupamentos, setores ou segmentos da sociedade. No contexto das atividades realizadas pelo Estado, os Observatórios normalmente são pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos que acompanham e colaboram com a gestão de recursos públicos. No contexto acadêmico, esta expressão ganhou espaço na denominação de grupos de pesquisa sociais, focados em diagnosticar quali e quantitativamente os resultados de projetos, ações e práticas sociais.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

2 de junho de 2012