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Conclusão ou Considerações Finais?

No Trabalho Acadêmico, a parte final do conteúdo deve ser denominada “Conclusão” ou “Considerações Finais”?
A ABNT NBR 14724:2005 já empregava a expressão “Conclusão” para designar a parte final dos elementos textuais do trabalho, denominação que permanece nas orientações normativas posteriores. A norma define a conclusão como a parte final do texto na qual são apresentadas conclusões correspondentes aos objetivos ou hipóteses da pesquisa.
Contudo, algumas instituições de ensino adotam a expressão “Considerações Finais” para designar essa mesma parte do trabalho. Trata-se, em grande medida, de uma divergência terminológica, e não necessariamente de uma diferença quanto à função ou ao conteúdo esperado.
Há quem sustente que a palavra “conclusão” carregaria semanticamente um sentido absoluto ou definitivo, de modo que concluir uma pesquisa significaria encerrar a discussão sobre o tema. Sob essa perspectiva, a expressão “Considerações Finais” seria mais apropriada por apresentar sentido menos categórico. Essa interpretação, entretanto, não parece necessária. A conclusão de uma pesquisa diz respeito às questões que foram efetivamente delimitadas e investigadas: pode-se concluir quanto ao problema, aos objetivos e às hipóteses estabelecidos sem pretender esgotar as possibilidades de investigação sobre o tema.
A própria NBR 14724:2005 admitia, na conclusão, a apresentação de desdobramentos relativos à importância, síntese, projeção, repercussão, encaminhamento e outros, o que evidencia que a ideia de conclusão não implica necessariamente o encerramento definitivo da discussão científica.
Também não parece adequado estabelecer uma distinção segundo a qual somente nas teses de doutorado seria apropriado utilizar a expressão “Conclusão”. Trabalhos de diferentes níveis acadêmicos podem apresentar conclusões, desde que estas estejam relacionadas ao problema, aos objetivos, às hipóteses e aos resultados da investigação. A natureza da contribuição esperada em uma tese de doutorado não decorre da denominação atribuída à seção final do trabalho.
Assim, as expressões “Conclusão” e “Considerações Finais” podem, em princípio, ser utilizadas para designar a parte final do trabalho, sem que se atribua à primeira um sentido necessariamente absoluto ou definitivo. Mais importante do que a escolha terminológica é que essa seção cumpra adequadamente sua função: apresentar, de forma coerente com o percurso da pesquisa, as conclusões ou considerações decorrentes da investigação.
Por isso, recomenda-se observar, antes de tudo, as normas e orientações da instituição à qual o trabalho será submetido. Se houver liberdade de escolha, ambas as expressões podem ser utilizadas, desde que empregadas de maneira coerente com o conteúdo desenvolvido. Se a instituição adotar uma denominação específica, esta deverá ser observada para fins de padronização.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

5 de setembro de 2026

Na apresentação perante a banca, preciso mencionar (citar) verbalmente os autores pesquisados?

Entendo que a apresentação perante banca é revestida de forma e dinâmica distintas da expressão escrita. No trabalho impresso, o registro das fontes é indispensável, não só para sedimentar o argumento, mas também oportunizar ao leitor o acesso às obras consultadas. Creio que a apresentação oral não precisa caminhar no mesmo sentido. Mesmo porque, especificamente no caso da apresentação dos Trabalhos de Conclusão, a banca já conhece o conteúdo do texto e suas respectivas fontes, de modo que a apresentação não precisa explicitar os autores consultados. Isto não significa que não seja possível (ou, em certos casos, até mesmo necessário) mencioná-los. Por exemplo, quando uma pesquisa é ancorada teoricamente em um determinado autor ou filósofo, é muito difícil imaginar que ele não seja verbalmente explicitado.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

2 de dezembro de 2015

Como apresentar as citações e referências de artigos e livros publicados na Internet?

Para pesquisas que contenham revisão literária (também conhecida como revisão bibliográfica), livros e artigos disponíveis na Internet são consultas indispensáveis. Seguem exemplos de citações destas modalidades de fontes, considerando as diretrizes da ABNT (no sistema autor-data):
Exemplo de citação de artigo online, até três linhas:
“O sujeito se expressa na ilusão de controlar a origem de seu discurso, sem que se dê conta de que o determinante dos sentidos desse discurso é a história […]” (ADINOLFI, 2007, p. 3).
Referência do artigo:
ADINOLFI, Valéria Trigueiro Santos. Discurso científico, poder e verdade. Revista AULAS, Campinas, v. 1, n. 3, p. 1-10, dez. 2006/mar. 2007. Disponível em:
<http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/aulas/article/view/1940/1401>. Acesso em: 17 set. 2015.
Exemplo citação de livro online, até três linhas:
“As questões relacionadas ao conhecimento estão entre as que são tradicionalmente classificadas como centrais para a investigação filosófica.” (LUZ, 2013, p. 9).
Referência do livro:
LUZ, Alexandre Meyer. Conhecimento e justificação: problemas de epistemologia contemporânea. Pelotas: NEPFil, 2013. Disponível em:
<http://nepfil.ufpel.edu.br/dissertatio/acervo/5-meyer.pdf>. Acesso em: 17 set. 2015.
Para saber mais sobre este assunto, consulte estes post:
Como apresentar citações de legislação no sistema autor-data?
Exemplos de referências de trabalhos acadêmicos (NBR 6023)
Indicação de fontes de pesquisa (Vídeo aula)
Como apresento citações de conteúdos disponíveis na Internet? 
Nas citações de legislação e jurisprudência, como devo apresentar as chamadas no sistema autor-data?
Como citar autores de capítulos de livros?

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

17 de setembro de 2015

Como citar e referenciar entrevistas não publicadas?

Segue algumas orientações sobre como lidar com entrevistas não publicadas em trabalhos acadêmicos.
1) Grave e transcreva a entrevista. Caso a entrevista seja concedida verbalmente, recomenda-se sua gravação, mediante consentimento prévio do entrevistado, seguida da transcrição. Se realizada por e-mail ou outro meio escrito, o conteúdo pode igualmente ser preservado. A transcrição integral pode ser apresentada ao final do trabalho, em apêndice, quando isso for pertinente à pesquisa. Essa inclusão, contudo, não constitui exigência da ABNT.
2) Utilize a entrevista no corpo do texto por meio de citação direta ou indireta. As falas do entrevistado podem ser reproduzidas literalmente ou apresentadas por meio de paráfrase, observando-se as regras gerais de citação. A identificação do entrevistado pode ser feita pelo nome ou, quando necessário, por código ou denominação que preserve sua identidade, como “Entrevistado A”. Dados como local e data da entrevista podem ser apresentados no próprio texto ou em nota de rodapé.
3) Não inclua a entrevista não publicada formalmente no rol de referências. Segundo a ABNT NBR 10520:2023, a transcrição de entrevistas e/ou depoimentos não publicados formalmente não gera referência. Assim, a entrevista deve ser contextualizada no texto ou em nota, sem a elaboração de uma referência bibliográfica convencional.
Ex:
Segundo Rafael Freitas, “...”¹
___________
¹ Entrevista concedida a Alejandro Knaesel Arrabal, Blumenau, 9 jun. 2015.

ou

O Entrevistado A afirmou que “...”¹
___________
¹ Entrevista de pesquisa concedida em 9 jun. 2015, em Blumenau.
Mais orientações sobre entrevistas, confira estes links:
O uso de entrevista, observação e videogravação em pesquisa qualitativa
Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais
A entrevista na pesquisa qualitativa: mecanismos para validação dos resultados

Foto deste post: www.publicdomainpictures.net

Postagem atualizada em 6 set. 2026.

9 de junho de 2015

Preciso citar um texto que não especifica ano de publicação. Como devo proceder?

Segundo a NBR 6023 (2002, p. 17), quando não for possível identificar qualquer datação relacionada ao texto, registra-se a data aproximada entre colchetes da seguinte forma:
[2014?] para data provável 
[201-?] para década provável 
[20--?] para século provável
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal
Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR. 6023: informação e documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

25 de abril de 2015

Como apresentar citações de legislação no sistema autor-data?

A NBR 10520 não explica detalhadamente como se deve apresentar as chamadas para Legislação no sistema autor-data. Portanto, segue três sugestões tendo como base nas regras gerais desta mesma norma:
(BRASIL. Lei 9.610, 1998, art. 27) ... ou;
Conforme a Lei 9.610 (BRASIL, 1998, art. 27) ... ou;
Conforme o artigo 27 da Lei 9.610 (BRASIL, 1998).
Na lista de referências (exemplo de legislação disponível na Internet):
BRASIL. Lei 9610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 17 nov. 2014.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

17 de novembro de 2014

Como citar autores de capítulos de livros?

Atualmente é comum encontrar obras cujos capítulos foram escritos por autores diferentes. Nestes casos, as citações podem ser elaboradas da seguinte forma: Junto com a citação (direta ou indireta) indique o autor da parte, seguido do ano da obra e do número da página correspondente.
Exemplo no sistema autor-data:
"A importância das nanotecnologias na produção de patentes pode ser verificada no Alerta Tecnológico nº 87, referente aos pedidos de patente sobre nanomateriais do primeiro semestre de 2012, publicado em janeiro de 2013." (ENGELMANN; ARRABAL, 2014, p. 125).
Na lista de referências ao final do trabalho, apresente os dados da obra utilizando o modelo “referência de parte de obra” conforme a NBR 6023.
Exemplo:
ENGELMANN, Wilson; ARRABAL, Alejandro Knaesel. A (in)suficiência da dicotomia público/privado na propriedade industrial: uma análise a partir das nanotecnologias da constitucionalização do direito. In: BOFF, Salete Oro; PIMENTEL, Luiz Otávio; FORTES, Vinícius Borges (Orgs). Direito e desenvolvimento sustentável: a (necessária) proteção jurídica da biotecnologia e a (necessária) regulamentação do acesso à biodiversidade e aos conhecimentos tradicionais. Passo Fundo: IMED, 2013
Para saber mais sobre este assunto, consulte o post "indicação de fontes em trabalhos científicos".

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

10 de abril de 2014

O orientador de TCC é coautor?

Atribuir ao professor orientador de TCC a condição de coautor é uma questão bastante controversa. Contudo, antes de considerá-lo ou não um coadjuvante meritório, é preciso refletir sobre o seu efetivo papel institucional, bem como avaliar os pressupostos epistemológicos que norteiam o sentido da produção acadêmica na graduação. Assim, cumpre inicialmente indagar sobre o que é um TCC. Bom, afirmo sem receio que o Trabalho de Conclusão de Curso é, prioritariamente, um instrumento pedagógico.
Neste sentido, sua realização estará comprometida com as diretrizes nacionais da educação que, entre outros aspectos, buscam fomentar a autonomia intelectual e o pensamento reflexivo. Assim, o aluno deve ser reconhecido como um agente ativo na construção do conhecimento. É ele (aluno) quem precisa tomar as rédeas da realização do TCC, desde a escolha do tema até as diversas decisões inerentes ao desenvolvimento da pesquisa.
Talvez seja possível questionar: mas os alunos têm condições de fazer escolhas e tomar decisões sem que o professor diga o que deve ser feito? É neste ponto que reside o papel fundamental do orientador: oportunizar aos alunos meios para que eles aperfeiçoem suas competências, façam suas escolhas e tomem suas decisões. Portanto, não cabe ao orientador escolher o tema, nem tão pouco determinar os métodos ou as técnicas de pesquisa. Seu papel é de base, de aconselhamento ativo. Logo, em se tratando especificamente do TCC, não creio que seja correto reconhecer ao professor orientador a condição de coautor.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

6 de março de 2014

Como apresento a referência de um processo judicial?

Embora constem orientações para documentos jurídicos (Legislação, Jurisprudência e Doutrina) a NBR 6023/2002 não traz um modelo específico de referência para processos judiciais em tramitação. Porém, bom base no modelo de jurisprudência, sugiro a seguinte estrutura:
JURISDIÇÃO. Unidade judiciária competente. Título e número do processo, partes envolvidas (quando disponível), data da instauração do processo.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

24 de novembro de 2013

Como apresentar o resumo do TCC?

O resumo é um texto inaugural para quem quer conhecer o trabalho, mas é o último para quem o escreve. Isto porque nele deve constar parte da introdução do trabalho e parte das considerações finais. Da introdução, o resumo destaca o objeto (problema), os objetivos, a justificativa e a metodologia. Das considerações finais destaca sinteticamente os principais resultados obtidos. É, portanto, uma “apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto, fornecendo uma visão rápida e clara do conteúdo e das conclusões do trabalho” (ABNT, 2011, p. 4). Não se trata de uma replicação exata dos textos da introdução e das conclusões, mas de uma síntese dos seus elementos. Escrito em um único parágrafo, recomenda-se que sua extensão fique entre 150 a 500 palavras. Deve ser acompanhado de palavras-chave, separadas entre si por ponto. (ABNT, 2003). É um elemento que compõe a estrutura pré-textual do trabalho. Visualmente pode ser apresentado conforme a imagem abaixo:

Clique na imagem para ampliar
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

REFERÊNCIAS

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR. 6028. Informação e documentação – Resumo – Apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR. 14724. Informação e documentação –Trabalhos Acadêmicos – Apresentação. Rio de Janeiro, 2011.

8 de outubro de 2013

Afinal, o que significa “SIC”?

Faz algum tempo, perguntei na sala de aula se alguém sabia o significado de “SIC”. Um aluno levantou o braço e enfaticamente respondeu: “SIC é Segundo Informações Colhidas professor”.
Bom, não é exatamente uma abreviatura, mas o sentido não está completamente equivocado. Moreno explica que “Sic é um advérbio latino que significa literalmente ‘assim’. [...] É usado internacionalmente para indicar ao leitor que aquilo que ele acabou de ler, por errado ou estranho que pareça, é assim mesmo.”
Nas citações diretas, é um termo que pode ser apresentado entre colchetes (vide NBR 10520), logo após uma palavra cuja grafia original do texto apresente algum erro ou diferença que cause estranheza.  Por exemplo, textos muito antigos onde farmácia era com “ph”, ou até mesmo textos mais recentes, mas que não foram adaptados as novas regras da língua portuguesa.
Sobre este assunto, recomento a leitura integral do texto de Moreno publicado no site “Sua Língua” e também o post  “textos de citações diretas”.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

5 de outubro de 2013

Nas citações indiretas é necessário indicar a(s) página(s)?

A NBR 10520 (2002, p. 2) estabelece que “Nas citações indiretas, a indicação da(s) página(s) consultada(s) é opcional.” Contudo, é preciso entender que a indicação das fontes pesquisadas não é uma mera formalidade. 
Indicar as fontes com precisão, sobretudo denota honestidade científica, compromisso em oportunizar ao leitor o acesso ao repertório bibliográfico empregado na pesquisa. Neste sentido, a página onde originariamente consta um determinado conteúdo deve ser mencionada, ainda que o conteúdo seja expresso de forma indireta (paráfrase ou condensação). 
Insisto neste posicionamento, especialmente porque muitos entendem equivocadamente que a mera alteração de elementos de uma frase, como a substituição de algumas palavras por sinônimos, é prática suficiente para qualificar uma citação indireta. Assim, tenha como regra o seguinte: em qualquer modalidade de citação, sempre que for possível, mencione as páginas.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

28 de maio de 2013

Qual o tamanho ideal para a fonte do texto de Slides?

Não é possível afirmar que exista um padrão ideal absoluto para o tamanho da fonte utilizada em slides. Essa definição depende de diferentes fatores, entre eles as características tipográficas, as condições de visualização e a própria composição visual da apresentação. Por exemplo, a fonte “Arial Black” apresenta caracteres visualmente maiores e mais encorpados que a “Times New Roman”, quando utilizadas na mesma escala nominal.

Fique atento à harmonia entre o texto e as imagens aplicadas no slide. Pode parecer óbvio, mas o texto precisa ser legível e inteligível em seu contexto. Isso significa permitir que, em poucos segundos, alguém possa não só reconhecer as palavras, mas também compreender o sentido que elas assumem no contexto da apresentação.

Portanto, considere os seguintes aspectos:

  • Tamanho da fonte: utilize, como referência, aproximadamente 30 pontos para fontes como “Arial”, “Times New Roman” ou assemelhadas. Esse valor pode variar conforme as características da fonte e as condições de apresentação. Evite utilizar letras maiúsculas como padrão. Seja ponderado no emprego de recursos de destaque gráfico, como negrito, sublinhado, cores ou tamanhos diferenciados.
  • Evite a redução forçada: não diminua o tamanho da fonte de textos que tenham a mesma importância no conjunto da apresentação apenas para que o conteúdo caiba em determinado slide. Se necessário, reorganize a disposição dos elementos ou distribua o conteúdo em mais slides.
  • Padronização visual: o conjunto dos slides deve transmitir equilíbrio e coerência visual, especialmente em relação aos títulos e aos elementos gráficos utilizados para identificar as diferentes partes da apresentação.
  • Posicionamento do texto: avalie com atenção a posição do texto, especialmente nos slides que contenham outros elementos gráficos. Um texto colocado acima ou abaixo de um desenho pode fazer diferença na interpretação da mensagem. Lembre-se de que nosso olhar, em regra, segue a ordem da esquerda para a direita e de cima para baixo. Considere esse aspecto na organização hierárquica e na sequência de apresentação das informações.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

4 de abril de 2013

Palavras estrangeiras e expressões latinas empregadas nas citações devem ser escritas em itálico?

De fato, esta é uma das questões de grande divergência nos tratados e manuais sobre redação científica. Encontram-se orientações no sentido de empregar o itálico em palavras não incorporadas ao vocabulário, em expressões latinas ou até mesmo em termos específicos de determinadas áreas do conhecimento. Ocorre que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa vigente não trata deste assunto.
Especificamente em relação às expressões latinas utilizadas como recurso para abreviar citações, a NBR 10520 não utiliza o itálico. 
Portanto, sugiro usar o itálico somente em palavras estrangeiras não incorporadas ao vocabulário. Para saber se uma determinada palavra já foi incorporada, consulte o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

2 de março de 2013

Existe diferença entre Definição e Conceito?

Por diversas vezes me deparei com artigos que apontavam uma diferença entre Definição e Conceito. Confesso que este assunto ainda me provoca certa inquietação, seja pela diversidade de impressões que encontrei, seja pela real necessidade de estabelecer esta distinção semântica. Contudo, sem ingressar em questões filosóficas mais apuradas, creio ser possível reconhecer uma diferença sutil entre Definição e Conceito.
Na Definição, busca-se delimitar o significado de algo, procurando estabelecer aquilo que permite reconhecê-lo e distingui-lo de outras coisas. Trata-se, portanto, de um esforço de determinação: dizer o que algo é, ou estabelecer o sentido que determinado termo assumirá em um dado sistema linguístico, científico ou normativo. Embora uma definição possa ser construída a partir de convenções ou contextos específicos, há nela uma pretensão de delimitação mais precisa e relativamente estável do objeto ou do termo definido.
O Conceito também envolve uma tentativa de delimitação, porém acrescenta um esforço de compreensão. Conceituar implica estabelecer a perspectiva, as relações e o contexto a partir dos quais determinado objeto é reconhecido e interpretado. Algo pode, assim, ser conceituado de diferentes maneiras conforme o campo teórico, o problema investigado ou o contexto em que é observado. 
Enquanto a Definição procura responder, sobretudo, “o que é?”, o Conceito procura explicitar também “como e a partir de onde isso é compreendido?”.
Nesse sentido, talvez seja possível dizer que a Definição tende a privilegiar a delimitação do significado, enquanto o Conceito evidencia a construção de uma determinada forma de compreender o objeto. A primeira procura estabelecer limites; o segundo procura organizar sentidos.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

Atualizado em 29/08/2026.

20 de fevereiro de 2013

Comportamento perante a banca do TCC e respostas para “questionamentos constrangedores”

A Shara de Goiás colaborou com o blog encaminhando esta pergunta: 
“Como devo me comportar na banca do TCC? Devo me dirigir ao público ou aos avaliadores? Qual a melhor forma de deixar a apresentação perfeita a fim de evitar questionamentos constrangedores dos avaliadores?” 
Prezada Shara, o comportamento perante a banca deve ser polido, mas sem exageros formais (ou informais). É preciso valorizar o momento e você pode fazer isso, começando pela postura e traje. Contudo, não há um estereótipo único para a apresentação. Acredito que a melhor recomendação é: explore suas potencialidades. "Seja você" em tudo que tem de bom para comunicar suas ideias. Por exemplo, para falar em público, muitos acreditam que é preciso marcar o tom e ritmo de voz com firmeza e vigor. Isto não é necessariamente verdade. Já tive a oportunidade de participar de banca onde o avaliado tinha pouco volume de voz, mas trabalhou isso a seu favor. Empregou com suavidade o ritmo, a postura e tom de voz, o que contribuiu muito para a compreensão dos argumentos apresentados. 
Com exceção do início, quando é recomendável cumprimentar a todos os presentes, durante 99% da apresentação seu olhar e discurso devem ser dirigidos à banca. Caso você utilize algum recurso visual (Cartazes, Slides, entre outros), permaneça em uma área da sala que permita olhar e indicar os conteúdos visuais, sem dar as costas à banca. 
Para realizar uma ótima apresentação é preciso preparo e treino. No final deste post indico alguns conteúdos que podem ajudar neste processo. 
Certa vez, ouvi um colega de banca dizer ao aluno no final da apresentação o seguinte: “após ter pesquisado durante meses para fazer o TCC, neste momento e nesta sala, a pessoa que mais conhece o assunto é você”. É claro que, indiretamente, ele já estava dizendo que o aluno foi muito bem. Concordei com ele e concordo até hoje. Normalmente, quando o aluno escolhe um tema de seu interesse e desenvolve a pesquisa com dedicação, o resultado não é outro. 
Sobre a possibilidade de “questionamentos constrangedores”, considere o seguinte: se o trabalho foi adequadamente delimitado, cabe a você responder todas as perguntas que tenham relação com o conteúdo abordado. Neste caso, não tenho dúvida que você terá condições de respondê-las.

24 de janeiro de 2013

Devo escrever o texto científico na voz passiva?

O emprego da voz passiva e da terceira pessoa do singular são recomendações muito frequentes nos manuais de metodologia e redação científica. Observe esta frase: 
“Eu identifiquei uma falha” 
Do ponto de vista linguístico, “Eu” indica o sujeito que está na primeira pessoa do singular. O verbo “identifiquei” descreve uma ação promovida pelo sujeito “Eu” em relação ao complemento da oração “uma falha”. Portanto, o verbo da oração encontra-se na voz ativa. Na voz ativa, a ação é praticada pelo sujeito, ele é o agente do processo verbal. Na voz passiva, o sujeito recebe a ação verbal. Veja esta outra frase: 
“Uma falha foi identificada pelo pesquisador” 
Aqui há uma inversão em relação à frase anterior. O que era sujeito “Eu” passou a ser agente, agora na terceira pessoa do singular “Ele”, o “Pesquisador”. O que era complemento do verbo na voz ativa “uma falha”, passou a ser sujeito da voz passiva, sob o qual incide a ação verbal “foi identificada”. A justificativa para isto é despersonificar o texto científico, afastar o sujeito (especialmente suas características individuais) da investigação e dos resultados da pesquisa. Contudo, esta orientação é calcada em um paradigma determinista atualmente combatido. Neste sentido, observe as considerações de Rodrigues (2008, p. 67):
A voz passiva era um padrão na literatura científica anos atrás. [...] A ideia então passou a ser que não há separação entre objeto de pesquisa e pesquisador e a voz passiva criaria uma impressão errônea de imparcialidade absoluta [...] É comum encontrarmos críticas a esta arrogância científica, baseadas no Princípio da Incerteza de Heisenberg. [...] Quando o antropólogo Levi-Strauss andava pelo interior do Brasil na década de 30, o simples fato dele pisar em uma tribo indígena, mudava sua natureza. [...] É possível encontrar maneiras pelas quais a observação influencia o observado em todas ciências. [...] Não se trata de uma falha do método científico, [...] devemos prestar atenção na influência que a observação pode ter no observado [...] as escolhas todas envolvidas em um trabalho acadêmico expressam uma visão do autor; querer esconder isto atrás de uma voz passiva não parece honesto. De todo modo, mesmo que libertos da exigência da voz passiva, é recomendável uma certa neutralidade, porque a ausência dela pode dar a impressão que você escolheu uma resposta de antemão.
Portanto, considere estas recomendações estritamente como um esforço de adequação do discurso científico e, como tudo na vida “aplique com moderação”.

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

REFERÊNCIA
RODRIGUES, Efraim. Histórias impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Londrina: Planta, 2008 (http://www.praticadapesquisa.com.br/2011/01/historias-impublicaveis-sobre-trabalhos.html)

Veja também: Como escrever como um cientista

8 de novembro de 2012

Qual tempo verbal devo empregar na monografia?

O tempo verbal situa a ação descrita na oração em um determinado momento (passado, presente ou futuro).
No projeto de pesquisa, recomenda-se o emprego do tempo futuro, já que o texto deverá referir-se a ações futuras. 
Já no texto científico concluído (artigo, monografia, dissertação ou tese) emprega-se o passado, vez que o seu conteúdo reporta às atividades que foram realizadas durante a pesquisa. Contudo, há situações onde emprega-se o tempo presente e o tempo futuro. Por exemplo, ao referir-se ao próprio texto utiliza-se o presente, ao apresentar sugestões para estudos complementares emprega-se o futuro.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

4 de novembro de 2012

Devo utilizar abreviações em latim ao indicar fontes?

O emprego de abreviações derivadas do latim é uma tradição na redação de textos científicos. Op. cit. (opus citatum – obra citada), id. (idem – mesmo autor), ibid. (ibidem – mesma obra) são algumas das reduções encontradas frequentemente. Contudo, a sua utilização não é (e creio que nunca foi) uma prática absolutamente obrigatória.
Ao tratar das “notas de referência” Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002, p. 5) estabelece que “[...] A primeira citação de uma obra, em nota de rodapé, deve ter sua referência completa [...] as subsequentes citações da mesma obra podem ser referenciadas de forma abreviada [...]” É bom destacar que o emprego e regras para abreviação de palavras ou expressões é anterior a ABNT. 
No universo da literatura técnico-científica, a maioria das abreviaturas usadas é em latim. No site “Origem da Palavra” há um conteúdo muito interessante sobre o assunto. Destaco uma breve passagem, embora recomende a leitura integral do texto: “A maioria [das abreviaturas] é em Latim, e há duas razões para isso: uma, que foram instituídas quando o Latim era o idioma geral da cultura; outra, para não haver briga de abreviaturas entre países de idiomas diferentes.” (CONVERSAS, 2005) 
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR. 10520: informação e documentação – citações em documentos – apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
CONVERSAS com meu Avô: abreviaturas. Origem da Palavra, 27. Jul. 2005. Disponível em: <http://origemdapalavra.com.br/palavras/citar>. Acesso em: 6 jul. 2012.
Obs: para quem não entendeu o "trocadilho" da gravura desta postagem, veja este vídeo.

7 de julho de 2012

Existe um modelo para apresentação de errata?

Durante os preparativos para a apresentação do TCC perante a banca, é comum encontrar algumas incorreções no texto: erros de digitação, formatação, citações, entre outros. E agora? Será que é possível entregar um novo exemplar corrigido na secretaria do curso antes da apresentação perante a banca?
Bom, normalmente essa não é uma opção permitida. Nesse caso, uma alternativa viável é preparar uma errata. Trata-se de um documento simples, no qual são indicadas as incorreções encontradas no trabalho, apontando-se o erro e sua respectiva correção.
Segundo a ABNT NBR 14724:2024, versão corrigida: 2025, a errata é um elemento opcional, inserido logo após a folha de rosto. Apresentada em papel avulso ou encartado, deve conter a referência do trabalho e o texto da errata, conforme o modelo a seguir:: 
Embora a ABNT mencione que a errata deve ser “[...] acrescida ao trabalho depois de impresso”, em alguns casos existe a possibilidade de correção direta no exemplar final. Algumas instituições estabelecem, regimentalmente, a necessidade de entrega de uma versão definitiva do trabalho após sua apresentação perante a banca. Nesse exemplar, devem ser providenciadas as alterações e sugestões indicadas pelos avaliadores, bem como os ajustes referentes aos erros que você identificou.
Contudo, sugere-se que a errata seja entregue no dia da apresentação do trabalho à banca. Entregue uma via para cada avaliador antes de iniciar a apresentação do conteúdo. Ao iniciar sua fala, logo após os cumprimentos, informe que, durante a preparação da apresentação, você encontrou algumas incorreções no trabalho e, diante disso, elaborou uma errata, cujo conteúdo corresponde aos ajustes que pretende realizar para a entrega da versão final.
Atenção: não é necessário relatar verbalmente o conteúdo da errata. Apenas entregue a via impressa e faça a breve observação indicada acima. Na sequência, siga normalmente com a apresentação.
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

Nota: texto revisado em 28/09/2026.

18 de junho de 2012