Será que as ideias acabaram?

A pergunta que inaugura este breve texto é provocativa e, de certa forma, falaciosa. Creio que o questionamento, talvez, deva ser outro: será que as ideias realmente podem acabar? Particularmente creio que não. As ideias não são bens disponíveis na natureza, não “nascem em árvores”. Também não são produtos de prateleira ofertados em Megastores. Não são verdades universais escritas em velhos pergaminhos, nem tão pouco respostas prontas em manuais ou textos na Internet.
As ideias são o fruto do “pensar” e do “sentir” humanos, e neste contexto “provavelmente” sempre existirão. Ideias surgem do processo mental que conjuga o racional e o emocional, normalmente conhecido como criatividade. Para que as ideias possam surgir e amadurecer, a “liberdade” e o “tempo” são ingredientes indispensáveis. No universo do pensamento crítico e criativo, não há fórmulas instantâneas.
Atualmente estamos inundados em notícias e informações e não sabemos necessariamente o que fazer com elas. Parece que não temos tempo para pensar criticamente, nem tão pouco criativamente. Mas, diante do contexto socioeconômico e cultural que estamos inseridos, será que nós realmente queremos pensar? cientes de que as demandas atuais privilegiam soluções “rápidas” e processos “facilitadores”, será que estamos dispostos a “criar”?
Amigos, as ideias não acabaram. O que está acabando é o interesse e a dedicação de pessoas dispostas a pensar crítica e criativamente.

Prof. Alejandro Knaesel Arrabal.


Sobre este assunto, veja também:

GABLER, Neal. A enxurrada de enganosas grandes ideias. O Estado de São Paulo, 21 ago. 2011. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-enxurrada-de-enganosas-grandes-ideias,761580,0.htm . Acesso em: 01 dez. 2011. (O texto original em inglês foi publicado no New York Times sob o título “The Elusive Big Idea” em 13 de agosto 2011. http://www.nytimes.com/2011/08/14/opinion/sunday/the-elusive-big-idea.html?pagewanted=all)


WOOD Jr, Thomaz. Pensar dói? Carta Capital, 16 out. 2011. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/politica/pensar-doi/?autor=14. Acesso em: 10 nov. 2011

2 de dezembro de 2011

2 comentários:

Eunice disse...

As ideias movem o mundo. Mas, realmente se estamos cada vez mais sem "tempo" e "liberdade" o processo criativo tende a perder a vitalidade, e aí as repetições e o pragmatismo dos "fastfood" em todas as áreas acabam prevalecendo... a mesmice, a monotonia, a falta de entusiasmo. Vamos acordar gente!!! 

Marlene Gabriel disse...

Parabens pelo texto professor. Muito esclarecedor.
Plantou ideias......